quarta-feira, novembro 23, 2011

TRUMAN CAPOTE


Hoje na Sábado escrevo sobre A Harpa de Ervas, de Truman Capote (1924-1984), romance da fase “inocente” que usa de incidentes autobiográficos para matizar o quadro de disfunção familiar da infância e adolescência do autor. Ainda estamos longe de A Sangue-Frio (1966), e mais ainda do corrosivo Súplicas Atendidas (1986, póstumo), razão acrescida do lugar central que ocupa na obra de Capote. Escrito e publicado em 1951, Harpa de Ervas pode ser descrito como um romance mágico sobre o atavismo dos thirties no Sul americano.

Escrevo também sobre o novo romance de Ana Cristina Silva, Cartas Vermelhas, inspirado na vida de Carolina Loff, militante destacada do Partido Comunista Português, “noiva” de Cunhal, membro influente do Komintern (em Moscovo), agente na guerra civil espanhola e... amante de Júlio Almeida, um inspector da Pide. A posteridade fixou o seu nome na lista dos traidores, embora Ary dos Santos tenha feito justiça à sua rebeldia: «Tu nunca nos traíste e se caíste / o mal nunca foi teu...» Dominando todos os recursos narrativos, Ana Cristina Silva compõe um patchwork de emoções contraditórias.

[Sendo amanhã dia de Greve Geral, a revista Sábado foi hoje para as bancas.]

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