CITAÇÃO, 388
«A história de Duarte Lima não é uma história que passe rápida e ligeiramente sobre nós. Não o conheci nos seus tempos de importância e da relativa glória portuguesa, mas já nessa altura ele me parecia uma personagem um pouco estranha na corte do PSD e de Cavaco: grosso, baixo, calado, estranho à carreira do arrivismo comum. Havia boas razões para isso. Duarte Lima nasceu no fim do mundo (em Bragança), numa família muito pobre de nove filhos. Às vezes, teve fome, ou muito perto disso. Foi educado pela escola primária da terra e, sempre, pela Igreja. Na Igreja [...] aprendeu música e, nomeadamente, a tocar órgão: aos 12, 13 anos, já acompanhava a missa no órgão da Sé. Era com certeza uma criança aplicada; de certa maneira, uma personagem do século XIX. [...]
Daí em diante, Duarte Lima seguiu a via tradicional das carreiras no PSD e, a certa altura, ainda novo, chegou à Assembleia da República e a mais do que isso, a presidente do grupo parlamentar da maioria.
Não é líquido por que razão o elegeram e não é líquido por que razão eventualmente correram com ele. Consta que exibia “sinais de riqueza”, que não caíam bem. Ou, se calhar, arranjou uma incompatibilidade qualquer ou com o dr. Cavaco ou com a Igreja. De qualquer maneira, ficou isolado. Um pobre de Bragança não podia transitar suavemente para uma companhia, um banco ou um escritório de advogados, como transitava a gente com velhas relações pessoais no Porto e em Lisboa.
[...] O caso dele é um caso triste.»
Daí em diante, Duarte Lima seguiu a via tradicional das carreiras no PSD e, a certa altura, ainda novo, chegou à Assembleia da República e a mais do que isso, a presidente do grupo parlamentar da maioria.
Não é líquido por que razão o elegeram e não é líquido por que razão eventualmente correram com ele. Consta que exibia “sinais de riqueza”, que não caíam bem. Ou, se calhar, arranjou uma incompatibilidade qualquer ou com o dr. Cavaco ou com a Igreja. De qualquer maneira, ficou isolado. Um pobre de Bragança não podia transitar suavemente para uma companhia, um banco ou um escritório de advogados, como transitava a gente com velhas relações pessoais no Porto e em Lisboa.
[...] O caso dele é um caso triste.»
Etiquetas: Citações, Duarte Lima


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