CRESPO OU CPC?
As jornalistas Ana Taborda e Myriam Gaspar entrevistaram Almerindo Marques para a revista Sábado. Alguém como Almerindo Marques, que foi banqueiro antes e depois do 25 de Abril (Banco da Agricultura, BES, BNU, CGD, Fonsecas & Burnay, Barclays); secretário de Estado da Administração Escolar (1976-78); membro fundador da rede Multibanco, da qual foi presidente até 1986; deputado, presidente da RTP (2002-07) e presidente das Estradas de Portugal desde 2007, tem muito para contar.
O que não é comum é o tom frontal do entrevistado.
Sobre um oficial de campo de Kaúlza. «Havia um senhor que tinha um programa que abusivamente registou na SPA como da sua autoria (era uma adaptação de França) e registou-se a ele como apresentador exclusivo. Recebia royalties do programa, mas quem pagava os custos era a RTP. Chamei-o e disse-lhe que tinha poucos dias para sair pela porta grande, com os mesmos direitos que os outros. O segredo ficava entre nós os dois. Chamou-me filho da puta. Tinha sido oficial de campo de Kaúlza de Arriaga.»
Sobre José Rodrigues dos Santos. «Se não tivesse vindo para a EP, ele tinha ido para a rua, a confirmar-se o que estava no processo disciplinar. As pessoas têm medo dele. Fiz-lhe um processo disciplinar e ele percebeu imediatamente que o ia despedir. Por isso, movimentou montes e vales, incluindo a embaixada dos EUA, que fez tudo para ele não sair. Sabem dizer-me porque é que é sempre ele que aparece nas guerras no estrangeiro? O primeiro ministro pediu-me para decidir em 48 horas. E o José Rodrigues dos Santos, bem avisado, quando começou a contagem decrescente para o processo disciplinar, meteu férias, atrasando a decisão (conseguiu autorização de um administrador). Teria saneado de forma muito relevante a RTP se o tivesse posto na rua.»
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