Sábado, Março 12, 2011

OS NÚMEROS DA MANIF



Em Lisboa, a marcha do descontentamento parece ter sido um sucesso. Diz quem por lá passou que o número de manifestantes terá andado entre 30 e 35 mil pessoas. Número aliás muito expressivo. A generalidade da imprensa, incluindo o Expresso, de onde roubei as imagens de Tiago Miranda (ao alto), agita o número fétiche dos 200 mil manifestantes em Lisboa e 80 mil no Porto. Não vale a pena comentar o disparate.

Sejamos claros: trinta mil pessoas na rua a manifestarem-se contra o desemprego e a carestia de vida, numa manifestação inorgânica (ou seja, sem o apoio explícito de qualquer grande partido), é uma demonstração eloquente do descontentamento de grande parte da população. Por isso me parece fútil agitar números que não colam com a realidade. Assim como assim, podiam ter dito são um milhão.


Adenda. Há quatro meses (6-11-2010), a Frente Comum dos Sindicatos da Administração Pública fez uma manif em Lisboa. Cem mil manifestantes, disse a organização. Em contrapartida, uma equipa dirigida por Steve Doig, professor da Universidade do Arizona actualmente a leccionar um mestrado de jornalismo na Universidade Nova de Lisboa, saiu para o terreno para fazer o que nenhum jornal fizera antes: contar os manifestantes. Não mobilizou para isso grandes meios: alguns dos seus alunos fizeram contagens ao longo do percurso da marcha, algumas fotografias foram feitas a partir de um ponto elevado na zona dos Restauradores e foi medido o espaço em que decorreu o comício final. Resultado: uma estimativa de 8.000 a 10.000 participantes no desfile, e cerca de 5.000 concentrados nos Restauradores. Fica como matéria de reflexão.

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