Domingo, Janeiro 16, 2011

HENRIQUE SEGURADO


Pouca gente se lembrará de Henrique Segurado (n. 1930), na medida em que a tradição indígena instaurou a fama hebdomadária. As centenas de candidatos a mestrandos que entopem os cursos de Letras e ciências da comunicação, podiam pegar no filão das glórias efémeras, sempre mais rapazes que raparigas, esses que num fim-de-semana levam o jornalismo cultural ao ditirambo para desaparecer num ápice.

Não é o caso de Henrique Segurado, que assinava Henrique Jorge. No seu tempo não havia génios de primeiro livro. Rimbaud era a excepção.

Agora, Joana Morais Varela, que não é de modas, editou a poesia de Henrique Segurado escrita entre 1969 e 1989, Almocreve das Palavras. Ilustrado por Rui Sanches, o volume deixa de fora os livros publicados entre 1953 e 1970. Asa de Mosca, premiado em 1959 e editado pela Ática em 1960, foi o primeiro que assinou como Henrique Segurado.

Para quem não sabe, Henrique Segurado foi o fundador das livrarias Castil (em Lisboa) e AZ (em Lisboa e no Porto). Colaborador de dezenas de publicações, entre elas as revistas de poesia Távola Redonda (1952) e Graal (1956), encontra-se representado em inúmeras antologias. Entre os anos 1970-90 foi administrador do semanário O Jornal. Entre outros, David Mourão-Ferreira e Fernando J.B. Martinho escreveram sobre a sua poesia.

Almocreve das Palavras é lançado no próximo dia 27, no Grémio Literário, pelas 18:30h. Joana Morais Varela apresentará, Joana Capucho e Diogo Dória lerão poemas, João Aboim tocará peças de piano. Será servido um cocktail. Atento o carácter público do evento, haverá moratória nas regras de vestuário exigidas para entrar no Grémio.

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