Maria do Rosário Pedreira tem um blogue. Poeta, editora (agora na LeYa), leitora voraz, arranjou tempo para
Horas Extraordinárias. É uma excelente notícia. Cada vez precisamos mais de moradas exigentes.
Com a peça
O Álbum de Família,
Rui Herbon recebeu anteontem o Grande Prémio de Teatro Português (SPA), em cerimónia presidida pela ministra da Cultura. Lembrar que o Rui lança, na próxima terça-feira, dia 25,
A Chave (Parceria A. M. Pereira), obra que no ano passado recebeu o Prémio Branquinho da Fonseca do Conto Fantástico.
Não entendo o tabu. A CPI/PT-TVI não pode (e muito bem) utilizar o conteúdo das escutas enviadas pelo juiz do Círculo do Vouga. Só dois deputados as viram. Mas o
Correio da Manhã e o
Sol andam, pelo menos desde anteontem, a citar excertos dessas escutas. Não sou eu que o digo.
Disse-o ontem o Público, na página 6, citando extractos de conversas de Paulo Penedos com Rui Pedro Soares e André Figueiredo. Onde é que está a surpresa?
Fernanda Câncio: «tenho, nestes dias, pensado muito no gonçalo dinis.
[...] experimentem antes isto: pensar no gonçalo dinis e no sérgio vitorino em 1999, quando estava tudo a começar, num debate na sic a ouvir de maria josé nogueira pinto que ela até achava que eles tinham direito a existir. e pensem onde estamos agora. experimentem ficar felizes e pensar que se só levámos 11 anos a chegar aqui, o resto não pode ser assim tão difícil. e que estamos todos de parabéns. / eu penso no gonçalo, naquela noite no mah-jong, e em como é a ele, que nem sequer vive em portugal e que está a naturalizar-se inglês e de quem tão pouca gente se lembra e que não quer louros disto para nada, que dou por mim a querer agradecer e dedicar esta vitória.»
Jansenista: «
[...] Na realidade o patriotismo, se é o atordoamento da crítica contra os que governam e desgovernam e se governam, é neste momento uma atitude estúpida e inoportuna: é a atitude daquele sabujo que segue o patrão quando este, anunciando a iminência do encerramento da empresa, apela a que todos mostrem a sua solidariedade e “vistam a camisola da equipa”. / É contando com essa fidelidade que os abusos surgem, e contando também com os idiotas úteis que sonham com a “resistência interna” e com a possibilidade de regeneração dialéctica dos males — isto ao mesmo tempo que, sem hesitação ou angústia, vão oferecendo a sua pronta colaboração.
[...]»
José Medeiros Ferreira: «
[...] Há aliás muita gente em Portugal a opinar e a dispor do sacrifício dos outros como quem tem bula para o que der e vier. E não me refiro só aos jornalistas.»
José Simões: «Quando é que param de insultar a inteligência dos portugueses? Não há subsídio nem incentivo do Estado não há empresários portugueses. Ponto final.»
Sofia Loureiro dos Santos: «
[...] Há pouco, no noticiário das 14h00 [
SICN], o autor da peça jornalística, após ter perguntado várias vezes a Sócrates e a Teixeira dos Santos quando começava a ter efeito a nova taxa de retenção na fonte do IRS, concluiu que os portugueses continuavam confusos e sem saber quando começava a subida de IRS. No entanto Sócrates e Teixeira dos Santos reafirmaram que só teria efeito a partir dos ordenados de Junho. A confusão não será dos portugueses mas de quem redigiu a notícia.
[...]»
Valupi: «
[...] Ontem, na
Quadratura do Círculo, Lobo Xavier prestou-se ao mais ignóbil papel que lhe vi nestes muitos anos como espectador e cidadão. Declarou que aprovava a consulta das escutas pelo Pacheco e que as mesmas provavam as suspeitas que já tinha. Vai ser este o mecanismo a seguir: qualquer macaco passa a remeter para o Pacheco, único detentor da verdade, as pulhices que quiser despejar em cima dos nomes que apetecer. Por exemplo, quem quiser pode começar a dizer que o Zeinal Bava é um mentiroso que não merece qualquer confiança. Depois, se aparecer uma queixa a chatear, basta chamar o Pacheco e ele explica remetendo para Aveiro. É um esquema bem esgalhado, temos de reconhecer.
[...] Este episódio de espionagem política para fins de destruição de carácter e golpada parlamentar, que tem o entusiasmado apoio de magistrados desautorizados pelos seus superiores, abre uma nova era na democracia portuguesa. Eis os tempos interessantes que o Pacheco previu com exactidão avassaladora.»