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* Dedicado aos meus amigos fabianos Ana M.P., Ana V., Cilinha M.L., Fernanda C., Irene P., João G., Laura A.C., Maria J.P. e Pedro M.L.
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Roubado ao Rui Bebiano. Não me considero um laurentino nostálgico, mas, desta vez, confesso que senti um arrepio... Por momentos receei surgir na imagem, nesse tão distante 1962.
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«Fernando Lima, actual assessor político de Cavaco, deu à estampa no Expresso passado um texto intitulado A minha verdade e apresentado pelo próprio como um esclarecimento do caso das “escutas de Belém”. Ninguém percebeu por que raio Lima, insistentemente procurado pelos media para responder a perguntas sobre o caso que qualifica de “intriga para envolver o Presidente na luta eleitoral” mal este surgiu como resultado de uma manchete do Público de 18 de Agosto de 2009, resolveu agora — quando o assunto parecia “morto” — relembrá-lo. Diz ele que é para que “a mentira não passe incólume à história”.
Que mentiras denuncia Lima? A manchete do Público sobre as “vigilâncias” citava uma fonte da Casa Civil de Cavaco. Lima, então assessor para a comunicação do PR, admite que alguém falou ao Público, mas que o jornal “transformou uma resposta irada, ditada pelo absurdo das questões, em suspeitas gravíssimas, veiculadas por fonte oficial.” Ou seja: confirma o que o provedor do Público disse e que foi negado quer pelo anterior director do jornal quer pelos jornalistas responsáveis pela notícia: só teria havido uma “fonte”. Mais: Lima diz que a capa foi “inesperada”. O que desdiz também a afirmação do director do Público de que a notícia só tinha sido publicada depois de “uma fonte autorizada autorizar o jornal a fazê-lo”.
Uma semana sobre o texto de Lima, nenhum dos que ele chama mentirosos reagiu. Devemos pois crer nele? Não necessariamente. Afinal, a notícia cuja origem Lima admite, cinco meses depois, ter sido uma espécie de graçola nunca foi desmentida pela Presidência. Nunca. Como é que a inocência protestada por Lima, e na qual ele inclui toda a Presidência, resiste a isso? Mal. E pior ainda quando se constata que Lima esquece a existência da notícia de 19 de Agosto em que o Público veio consubstanciar a tese das vigilâncias. Aquela sobre um assessor do primeiro-ministro que acompanhou a viagem de Cavaco à Madeira em Abril de 2008. É como se esta “notícia” não existisse: Lima passa ao ataque ao DN e à manchete de Setembro de 2009 que revela, através da publicação de um mail de um jornalista do Público para um colega, uma conversa com Lima em que este lhe passou um dossier sobre o assessor. Ora não só Lima garante que o mail “não tem correspondência com a realidade” (depois de o Público ter reconhecido a autenticidade do mesmo ao anunciar uma investigação sobre a forma como chegou ao DN) como diz que “nunca houve qualquer desenvolvimento de notícias decorrentes da suposta conversa referida no e-mail”, quando toda a gente sabe que essa “suposta” conversa coincide em tudo com a notícia do Público a 19 de Agosto. Não contente com negar o inegável, Lima escusa-se a confirmar ou infirmar a existência da conversa: “Nunca revelei a ocorrência ou o teor de conversas com os jornalistas e não se espere de mim que alguma vez o venha a fazer”, diz. Isto no mesmo texto em que “explica” a primeira manchete do Público com a narração de uma conversa com jornalistas.
“Entendamo-nos. Eu sei que esta trama raia o incrível e que é um daqueles casos em que a realidade ultrapassa a ficção”, diz Lima. De facto. Só falta entender para quê mais esta peça do romance.»
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