Terça-feira, Dezembro 28, 2010

FAZ HOJE 115 ANOS


Já poucos devem saber quem foi o Gungunhana, i.e., Mdungazwe Ngungunyane Nxumalo (1850-1906), último imperador do Império de Gaza, capturado por Mouzinho de Albuquerque, em Chaimite, precisamente a 28 de Dezembro de 1895. Faz hoje 115 anos. Transportado (e à sua corte) para Lisboa, onde foi exibido como troféu de caça, D. Carlos desterrou-o em 1896 para os Açores, onde viveu dez anos até morrer. Com a sua prisão, Mouzinho garantiu o controlo de Moçambique nos termos da Conferência de Berlim.

Publicado em Moçambique em 1896, pela Tipografia Sampaio & Carvalho, de Lourenço Marques, o relatório dessa prisão foi agora recuperado pela Angelus Novus na colecção Experimente no Sofá  —  livrinhos de 15x10,5cm de autores tão diferentes como o marquês de Sade, Nuno Júdice, Alexis de Tocqueville, Henry David Thoreau e, às voltas com Sherlock Holmes, O. Henry, Bret Harte e John Kendrick Bangs  —, tão heterodoxa que até tem um volume sobre relatos das aparições de Fátima.

Sobre Mouzinho de Albuquerque (1855-1902), o herói de Moçambique, o volume inclui uma breve cronologia: o suicídio é atribuído ao «clima de intriga [e] decadência da monarquia». O livro não diz, mas digo eu, que a intriga estava associada a rumores de homossexualidade.

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