Terça-feira, Dezembro 07, 2010

2011 COMO 1951


Ninguém diria que há eleições presidenciais marcadas para 23 de Janeiro de 2011. Desde 1951 que a opinião pública não se mostrava tão desinteressada do acto. Em 1951, quando Francisco Craveiro Lopes (1894-1964, foto ao alto) substituiu Carmona, nem a oposição fez alarido. Craveiro Lopes era um militar prestigiado, bem relacionado nos círculos liberais, casado com a mulher mais elegante do regime, Berta Arthur, que conheceu em Moçambique. Em 1958, quando deixou Belém, Craveiro Lopes foi feito marechal da Força Aérea, circunstância que o não impediu de manter contactos com a oposição: em 1961 esteve associado ao golpe de Botelho Moniz para derrubar Salazar. Estava em Lisboa e lembro-me da comoção que a sua morte provocou em Setembro de 1964.

Hoje a indiferença é geral. Tudo indica que mais de metade dos portugueses não vá votar. Cavaco, muito provavelmente, será reeleito. Manuel Alegre pagará a factura do apoio do BE e, sobretudo, do que andou a fazer ao PS entre 2005 e 2009. É sintomático que ainda não tenha as assinaturas necessárias para formalizar a candidatura. À sua custa, Defensor de Moura talvez surpreenda. O Lopes comunista não assusta ninguém. Madre Teresa de Calcutá não conta. E assim chegamos ao bocejo universal. A parte engraçada é que grande parte da direita vai votar contrariada.

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