Quinta-feira, Outubro 14, 2010

ALFREDO MARGARIDO 1928-2010


Alfredo Margarido morreu na terça-feira. Aos mais novos e a muitos dos menos novos o seu nome nada dirá. Contudo, foi pintor, ficcionista, poeta, ensaísta, sociólogo da literatura e antropólogo da negritude. Estudou na Escola de Belas-Artes do Porto e na École des Hautes Études de Paris. Radicado em França a partir de 1964, depois de uma passagem por Angola e São Tomé, ensinou antropologia e sociologia na Sorbone e, mais tarde, no Brasil. Desde cedo interessado na emancipação da África Negra, um dos seus ensaios mais conhecidos é Le Colonialisme Portugais et l’Anthropologie (1975). Ao alto podemos ver uma das aguarelas que mostrou em Dezembro do ano passado nos Passos Perdidos. De acordo com Perfecto Cuadrado, historiador do surrealismo português, «dizer Alfredo Margarido é lembrar a obra e o exemplo cívico de um dos pensadores mais lúcidos da nossa realidade [...] Pintor, poeta romancista, ensaísta, tradutor, historiador, jornalista, antropólogo, politólogo, sociólogo, professor universitário: o mais parecido nos tempos modernos com o uomo universale do Renascimento. Lúcido, crítico e livre, e por isso mesmo polémico e indisciplinador de consciências...» Publicou livros de poesia, ficção e ensaio. Traduziu muito, e bem: Pavese, Anouilh, Melville (o Moby Dick, claro), Sarraute, Nietzsche, Asimov e outros. Por último mas não em último, lembrar que foi um dos fundadores, em Paris, dos Cadernos de Circunstância.

Etiquetas: