Terça-feira, Agosto 31, 2010

A QUADRATURA


Era bem feito que Cavaco mandasse Belém às urtigas. Esperar pelo fim de Outubro para desmentir o propósito de recandidatura: Mas eu nunca falei desse assunto! Os senhores é que deram por adquirido o pressuposto... Era bem feito, era. Ver o PSD e o CDS sem muleta.

Talvez tivesse o mérito de clarificar a situação. Os apelos ao presidencialismo sem concessões são sinceros? Então, a direita devia candidatar Medina Carreira em vez de encostar-se a Cavaco Silva. O Presidente da República não vetou um único diploma dos governos de Sócrates (os poucos vetos foram para diplomas da Assembleia da República). Mas para candidatar Medina Carreira era preciso ter tomates, coisa que a direita portuguesa manifestamente não tem. A direita não quer medidas, muito menos as de Medina Carreira. A direita borrifa-se para o endividamento externo, o défice, o caos da justiça, o desemprego, etc. A direita quer poleiro, e substituir o pessoal que está pelo pessoal a haver.

O tabu de Cavaco dá a medida da tradição monárquica da nossa Presidência. A menos de cinco meses das eleições, nenhum candidato (nenhum!) discute o país que quer. Dois terços da direita disposta a votar Cavaco vai a jogo contrariada. Cavaco faz tudo ao contrário do que a direita pretende que ele faça. (Derrapou no epidódio das escutas, imbróglio que num país de cultura anglo-saxónica teria levado à sua demissão.) A direita não o quer, mas não arranja outro. Paulo Teixeira Pinto, presidente da Causa Real, seria uma contradição nos termos, porém coerente com o projecto de revisão constitucional do PSD. Santana Lopes provocaria um coro de gargalhadas no país. António Barreto não lhes passa cartão. Bagão Félix, hipótese plausível, hesita. A isto chama-se quadratura do círculo.

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