Quinta-feira, Julho 29, 2010

FAZ FALTA?


José Sá Fernandes, vereador do Espaço Público e Espaços Verdes da Câmara de Lisboa, quer abrir, até Março de 2011, seis quiosques com esplanada na Avenida da Liberdade: dois junto à Alexandre Herculano (chocolates, gelados, crepes, chás, cafés, saladas, frutas e sumos naturais), dois na zona da Rua das Pretas (vinhos, queijos, enchidos, cervejas e petiscos), e outros dois no topo dos Restauradores (tapas). Ou seja, quer transformar a Avenida da Liberdade numa tasca a céu aberto. O delírio vai no terceiro concurso público. Et pour cause.

Argumentar com Madrid, Paris, Roma, Veneza, etc., não leva a lado nenhum. Em qualquer das esplanadas da Praça de São Marcos, de Veneza (local onde, das dez da manhã às oito da tarde, nunca estão menos de cinquenta mil pessoas), uma bica custa 9 euros, um prosecco 10 e um gelado 12. Tudo onerado com um suplemento final, por conta do fundo musical (de Gershwin a Vivaldi) assegurado por pequenas “orquestras” de coreto. E nós por cá? Com a bica a 80 cêntimos, presumo que Sá Fernandes tenha em vista o esplendor de Ágata: «[...] Podes ficar com as jóias, o carro e a casa / Mas não fiques com ele. / E até as contas do banco, e a casa de campo, / Mas não fiques com ele. / Podes ficar com o resto e dizer que eu não presto, / Mas não fiques com ele. / Tira-me tudo na vida, e o mais que consigas, / Mas não fiques com ele. [...]»

Para não ir tão longe, fiquemos por Madrid. No Paseo de Recoletos, um bom equivalente da Avenida da Liberdade, existem, se não erro, três quiosques (sendo o mais bonito o El Espejo, que se pode ver ao alto) que devem ter inspirado o vereador que fazia falta. Mas Madrid tem o triplo da população de Lisboa e um poder de compra sem comparação com o nosso. Ninguém pestaneja quando lhe pedem 4 euros por uma bica.

Ou muito me engano, ou a CML prepara-se para substituir a tralha de Abecasis por tralha igual.

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