Sexta-feira, Maio 14, 2010

MÃO PESADA


Na sequência de queixa interposta por Joe Berardo, vários gestores e membros da direcção do Millennium BCP foram condenados pelo Banco de Portugal ao pagamento de coimas, vendo interditada por vários anos a autorização de exercício na área financeira. A acusação inclui dolo, prejuízos no valor de 600 milhões de euros, recebimento indevido de cerca 24 milhões de euros em prémios, prestação de informações falsas, renovação irregular dos créditos às off-shores, adulteração das contas com prejuízo do conhecimento da situação patrimonial e financeira do banco, negligência, etc.

Paulo Teixeira Pinto, antigo CEO, e Filipe Abecassis, antigo director-geral, foram ilibados de todas as acusações.

Jorge Jardim Gonçalves, fundador do banco e antigo presidente, terá de pagar um milhão de euros de coima. Está interditado por nove anos.

Outros: António Rodrigues (coima de 875 mil euros), Christopher de Beck (750 mil euros), Luís Gomes (650 mil euros), Alípio Dias (540 mil euros), Filipe Pinhal, ex-CEO (450 mil euros) e Castro Henriques (250 mil euros). A média das interdições é de quatro anos.

A decisão coube a Vítor Constâncio. Os acusados vão recorrer para os tribunais, mas a inibição de exercício de actividade tem efeitos imediatos, irrecorríveis.

Os media, sempre tão afoitos na utilização abusiva (e adjectivada) do substantivo gang — o gang do Multibanco, da Casa Pia, da Sucata, dos Sobreiros, da Noite do Porto, do Apito Dourado, do Freeport, etc. —, desta vez deu-lhes para a parcimónia. Antes assim.

Etiquetas: