36 ANOS DEPOIS

A II República completa hoje 36 anos. Portugal tornou-se um país muito diferente. E não só por causa da liberdade. (Os bloggers que andam sempre com o Salazar na boca, pelas piores razões, ou nasceram depois da sua morte, ou eram crianças quando Caetano o substituiu. Escrevendo o que escrevem na web, se o tentassem no antigamente, estavam há muito na cadeia; e, naturalmente, demitidos dos lugares que ocupam no Estado.) Vasco Pulido Valente lembra na sua crónica do Público: «De qualquer maneira, agora existe um Estado providência (imperfeito, evidentemente) e, quer queiram quer não, existe liberdade bastante. Para mim, já não é mau.»
E António Barreto, entrevistado pelo Diário de Notícias, vai no mesmo sentido: «Há poucas oportunidades em Portugal, mas mais do que há 40 anos, sim. Os cidadãos, no estatuto, são mais iguais. Talvez social e economicamente haja aí que dizer, porque há algumas desigualdades a aumentar. Mas no estatuto fundamental de dignidade humana e de cidadão há igualdade. E isso é uma vitória destes 30 anos. Acho que a saúde, o estado de protecção social que foi criado em tão pouco tempo, é um grande feito do País, da Nação, do Estado, da população — terem feito um serviço conforme existe. Com milhares de defeitos, com milhares de contos de desperdício, com incorrecções de todo o tipo, mas existe e protege. E os sistemas educativo universal e de segurança social, creio que são vantagens.»
Não gostar de manifestações celebratórias, solenes ou populares (eu não gosto de nenhum tipo), é uma coisa. A retórica abrilista é um bocejo. Mas invocar o “mérito” do Estado Novo releva da ignorância. E, sobretudo, uma enorme falta de respeito por quem foi escutado, perseguido, preso, torturado, demitido do emprego, expulso da Função Pública, da docência e da magistratura, degredado, forçado ao exílio, etc., apenas por ter opiniões contrárias às do Regime.
Se a data os enjoa, têm bom remédio. Conforme as posses, encomendem um bolo 24 de Abril ou passem a tarde a ser vergastados num spa S/M.
E António Barreto, entrevistado pelo Diário de Notícias, vai no mesmo sentido: «Há poucas oportunidades em Portugal, mas mais do que há 40 anos, sim. Os cidadãos, no estatuto, são mais iguais. Talvez social e economicamente haja aí que dizer, porque há algumas desigualdades a aumentar. Mas no estatuto fundamental de dignidade humana e de cidadão há igualdade. E isso é uma vitória destes 30 anos. Acho que a saúde, o estado de protecção social que foi criado em tão pouco tempo, é um grande feito do País, da Nação, do Estado, da população — terem feito um serviço conforme existe. Com milhares de defeitos, com milhares de contos de desperdício, com incorrecções de todo o tipo, mas existe e protege. E os sistemas educativo universal e de segurança social, creio que são vantagens.»
Não gostar de manifestações celebratórias, solenes ou populares (eu não gosto de nenhum tipo), é uma coisa. A retórica abrilista é um bocejo. Mas invocar o “mérito” do Estado Novo releva da ignorância. E, sobretudo, uma enorme falta de respeito por quem foi escutado, perseguido, preso, torturado, demitido do emprego, expulso da Função Pública, da docência e da magistratura, degredado, forçado ao exílio, etc., apenas por ter opiniões contrárias às do Regime.
Se a data os enjoa, têm bom remédio. Conforme as posses, encomendem um bolo 24 de Abril ou passem a tarde a ser vergastados num spa S/M.
Etiquetas: Liberdades

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