CITAÇÃO, 259

Vasco Pulido Valente, Ele tem sorte?, hoje no Público. Excertos, sublinhado meu:
«Como se esperava, Pedro Passos Coelho ganhou a presidência do PSD [...]
Quanto ao programa, que Paula Teixeira da Cruz congeminou, é um programa liberal. Passos Coelho quer reduzir o papel do Estado (em abstracto, uma boa ideia) e aumentar a participação dos “privados” na saúde, na educação e na segurança social. Não acredito que vá muito longe. Nem sequer acredito que ele acredite no que ostensivamente propõe. Qualquer ameaça ao Estado providência, de que a maioria dos portugueses depende, levantaria contra ele a maioria do eleitorado, incluindo o eleitorado do PSD. O que não significa que o Estado providência se possa sustentar, como agora existe, e que não deva ser gradualmente reformado. Mas significa que a opinião pública não aceita ainda a mais leve tentativa para o diminuir ou o limitar; e que só por usura e desespero perceberá eventualmente a evidência. O liberalismo, em Portugal, é hoje um suicídio. E Passos Coelho não é um suicida.
No imediato, as coisas também são difíceis. Por força das circunstâncias, Passos Coelho está sem espaço de manobra. Por um lado, com o PSD desorganizado e abúlico, não lhe convém uma eleição prematura. [...] Cavaco, que não gosta dele e de quem ele não gosta, não o ajudará muito. Mas na política a sorte conta. Quando lhe pediam para nomear um general, Napoleão notoriamente perguntava: “... E ele tem sorte?”. E Passos Coelho tem sorte?»
[Foto: Corta-Fitas.]
«Como se esperava, Pedro Passos Coelho ganhou a presidência do PSD [...]
Quanto ao programa, que Paula Teixeira da Cruz congeminou, é um programa liberal. Passos Coelho quer reduzir o papel do Estado (em abstracto, uma boa ideia) e aumentar a participação dos “privados” na saúde, na educação e na segurança social. Não acredito que vá muito longe. Nem sequer acredito que ele acredite no que ostensivamente propõe. Qualquer ameaça ao Estado providência, de que a maioria dos portugueses depende, levantaria contra ele a maioria do eleitorado, incluindo o eleitorado do PSD. O que não significa que o Estado providência se possa sustentar, como agora existe, e que não deva ser gradualmente reformado. Mas significa que a opinião pública não aceita ainda a mais leve tentativa para o diminuir ou o limitar; e que só por usura e desespero perceberá eventualmente a evidência. O liberalismo, em Portugal, é hoje um suicídio. E Passos Coelho não é um suicida.
No imediato, as coisas também são difíceis. Por força das circunstâncias, Passos Coelho está sem espaço de manobra. Por um lado, com o PSD desorganizado e abúlico, não lhe convém uma eleição prematura. [...] Cavaco, que não gosta dele e de quem ele não gosta, não o ajudará muito. Mas na política a sorte conta. Quando lhe pediam para nomear um general, Napoleão notoriamente perguntava: “... E ele tem sorte?”. E Passos Coelho tem sorte?»
[Foto: Corta-Fitas.]
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