Sexta-feira, Março 26, 2010

AS DIRECTAS DO DESCONTENTAMENTO


Começam daqui a pouco as directas do PSD. Por volta da meia-noite já se saberá quem é o novo líder do maior partido da oposição. Recomendava o bom senso que estas eleições se tivessem realizado no fim de Outubro. Mas a direcção cessante tudo fez para torcer o curso dos acontecimentos, que o mesmo é dizer obviar à provável vitória de Pedro Passos Coelho. Primeiro foi o programa do governo, depois o OE, mais tarde o congresso do Pedro, que rebentou como um balão. Cinco meses perdidos. O PEC já não conta. Ou conta só na medida em que nos últimos quatro anos o PSD tem hipotecado a sua estratégia aos desígnios de Cavaco Silva.

Quando hoje a imprensa tablóide diz que Manuela «travou as grandes obras», está a tentar tapar o sol com a peneira. O PSD nem foi capaz de impor a presença de Sócrates no hemiciclo. O projecto de resolução do PEC foi votado na ausência do primeiro-ministro, como coisa menor. Bastou ao PS suprimir umas inanidades para o PSD votar como o PS (e Cavaco) queria que votasse: onde se dizia que o PEC assenta em «pressupostos credíveis», passou a constar que «assenta num cenário macroeconómico prudente». Tanto bastou. A isto, a imprensa tablóide chama travar as grandes obras... Não é sublime!?

Amanhã é outro dia. Se os jovens turcos conseguirem reconstruir o partido, pode ser que daqui a dois anos estejam em condições de disputar o país.


[Imagem: cartoon de Gonçalo Viana.]

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