Segunda-feira, Agosto 31, 2009

NÃO TENHO NADA COM ISSO, DIZ ELA


Aqui fica o texto publicado às 18:26PM no SIMplex:


Por causa do primeiro destes três vídeos, pude conferir afirmações esquecidas. Refiro-me à entrevista que Manuela Ferreira Leite deu a Constança Cunha e Sá. A ver se a gente se entende. A líder do PSD tem todo o direito a não concordar com o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Não pode é reduzir o conceito de família às suas idiossincrasias. Nem tratar com a displicência de quem tolera contra-vontade um assunto que afecta perto de meio milhão de portugueses (admitindo que 4% da população seja homossexual). É verdade que nem todos os homossexuais querem casar com pessoas do mesmo sexo. Grande parte deles casa para procriar e, desse modo, garantir heranças e prebendas. Cumprida a missão, nada os impede de contrariar a sua verdadeira natureza. Pular a cerca é o desporto mais antigo do homem. Muitos dos que vivem em união de facto com pessoas do mesmo sexo, não é certo que queiram casar.

Nestas coisas não se trata de tolerar ou deixar de tolerar. O tempo dos choques eléctricos e do internamento à força em hospitais psiquiátricos, das prisões por vagabundagem (Cesariny viveu cinco anos em liberdade condicionada), da expulsão de adolescentes de colégios e liceus, etc., esse tempo passou.

Infelizmente, a drª Manuela vive no mundo do faz de conta. Não perguntes, não digas. É uma visão retrógrada, sim senhora! Como quem diz: se te portares bem, ainda chegas a deputado. E os que não querem fazer carreira?


[A imagem ao alto mostra o matemático britânico Alan Turing (1912-1954), considerado o pai da informática. Foi graças às suas pesquisas que os ingleses puderam descodificar o código alemão Enigma. No início dos anos 1950, Turing foi acusado de homossexualidade e internado à força. O retrato é da época do internamento. Suicidou-se poucos dias antes de completar 42 anos. Está em curso no Reino Unido uma campanha de reabilitação nacional do homem que em 1936 “inventou” a Máquina conhecida pelo seu nome, desse modo antecipando os computadores digitais.]

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SENHOR PALOMAR


O Senhor Palomar mudou-se de armas e bagagens para este endereço. Como a nova casa ainda está desarrumada, fica um retrato da antiga, tirada por Sophie Bassouls. Gente irrequieta!

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TUDO ISTO É FADO?


Desde que foi eleita líder do PSD, Manuela Ferreira Leite deixou à posteridade um punhado de gaffes embaraçosas. A de maior impacto foi a que deixou subentendida — ironia negra? — a necessidade de suspensão do regime: «Até não sei se a certa altura não é melhor estar seis meses sem democracia, mete-se tudo na ordem, e depois então venha a democracia!»

Infelizmente, não ficou por aí. Sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, matéria sobre a qual lhe assiste todo o direito de discordar, disse: «A família é algo que tem por objectivo a procriação.» Nessa entrevista, a frase que ficou no ouvido das pessoas foi um trocadilho hoje famoso: «Chame-lhe o que quiser. Não lhe chame casamento. Casamento é uma coisa e uma coisa é qualquer outra coisa».

Acerca do investimento em obras públicas, a drª Manuela também não fez a coisa por menos. Perguntada sobre se essas obras ajudariam a diminuir o desemprego, foi peremptória: «Desemprego de Cabo Verde?, desemprego da Ucrânia? Isso ajuda.»

Neste período de pré-campanha, é natural que tais lapsos sejam recordados. Os apoiantes do PSD deviam assobiar para o lado. Mas há sempre alguém que diz não. Que é mentira! Ora então oiçam lá as entrevistas. Estão aqui as três gravações, com imagem e tudo. É só clicar.

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Domingo, Agosto 30, 2009

LER OS OUTROS


Ler aqui a entrevista do Zé Pedro.

Ana Paula Fitas: «O apoio de Pina Moura ao programa do PSD não deve surpreender ninguém. [...] Seduzido pelo fascínio dos grandes negócios e do mundo do dinheiro [...] Pina Moura vem subscrever afinal, um programa político que mais não é do que o Manifesto dissimulado do neo-liberalismo reeditado à maneira portuguesa, no contexto de um mundo que assumiu, com a crise, a dúvida sistemática sobre a utilidade e adequação do mercado sem regulação. [...]»

Ana Vidigal: «Golfe (approach)»

Carlos Manuel Castro: «[...] No Reino Unido, a oposição, com mais objectividade, acusa o Governo de fazer pouco em matéria de TGV. Tendo, também, em consideração o panorama europeu. Do qual nenhum país, seja membro ou não da UE, se pode dissociar. Cá, a oposição não quer o TGV. [...]»

Carlos Santos: «Uma das marcas do programa do PSD, que o permite qualificar como proveniente de uma certa direita conservadora e atávica, está na forma e nos termos como é equacionado o problema da segurança. Merece particular destaque o espantoso enunciado da primeira medida proposta: “Assumiremos a actuação policial, nas suas vertentes preventiva e repressiva, sem qualquer tipo de inibição, a não ser as que decorrem directamente da lei.” [...] e isto é uma promessa eleitoral, a que as forças de segurança CUMPRAM A LEI! O que será seguramente das promessas mais originais da História da Democracia: cumprir aquilo a que estão obrigadas. / Não fique o leitor surpreso, afinal foi nos tempos dos Governos Barroso-Lopes, que se produziram os célebres casos de agressão policial a Leonor Cipriano (2004) e Albino Libânio (2003). Ambos mencionados recentemente no Relatório da Amnistia Internacional relativamente a Portugal. [...]»

Eduardo Graça: «Há pressões em todo o lado, em todo o tempo e em qualquer lugar, função ou desempenho, público ou privado, íntimo ou social, o que há mais é pressão, desde a imperial ao café, desde o desempregado ao executivo de topo, dos alvores da manhã às profundidades da noite. Toda a gente faz pressão sobre toda a gente. Equipa que não pressione não ganha. Veja-se a diferença entre o FC Porto de (quase) todos os dias e os seus rivais de sempre. Assim que se adivinha que o adversário vai receber a bola já lá está quem lhe trave o passo. É assim na vida comum e na vida política. [...]»

Guilherme Waldemar Oliveira Martins: «Procederemos, também, a uma reanálise de medidas potencialmente ofensivas de direitos dos contribuintes tomadas nos últimos tempos.» / Que significará isto? A reanálise das medidas potencialmente ofensivas pressupõe novas medidas individuais e concretas?»

Hugo Costa: «Li o programa do PSD. Uma desilusão total. Anteriormente estávamos no rasgar. Agora passámos ao suspender tudo. [...]»

Hugo Mendes: «Em meados dos anos 80, Robert Solow disse algo que ficou conhecido como o paradoxo de Solow: «os computadores estão em todo o lado excepto nas estatísticas de produtividade». Pois bem, foi preciso esperar mais de uma década para que as empresas adaptassem a sua lógica organizacional e a gestão dos seus recursos humanos ao potencial oferecido pela tecnológicas da informação, de forma a extrair delas benefícios. [...] Lembro-me sempre do paradoxo de Solow quando ouço dizer que os computadores, e em particular os Magalhães, não “servem para nada” (na sala de aula e não só). Pois, se calhar não servem porque a sua introdução é muitíssimo recente [...] Ora, se quando queremos que os putos joguem bem à bola, os pomos a treinar bem cedo; e se quando queremos que eles toquem bem piano, lhes pagamos lições quando são bem pequenos, não é óbvio que se queremos que eles usem, na sua vida profissional futura, os computadores com naturalidade e eficácia, lhes demos um portátil, de modo que este faça parte integrante dos primeiros passos da sua aprendizagem?»

Irene Pimentel: «Claro que jamais utilizaria a História para comparações abusivas com a realidade actual. Sou atenta ao contexto. / Se o fizesse, vir-me-ia logo à cabeça a forma como o Partido Comunista Alemão contribuiu para a subida de Hitler ao poder, ao erigir os sociais-democratas como «sociais fascistas». Claro que, ao ser criado o primeiro campo de concentração em Dachau, foram lá encarcerados tanto sociais-democratas como comunistas, mas o mal já estava feito. [...] E se eu dissesse tal tremendo disparate, ou estaria a ser oportunista (o que esforço por não ser) ou a padecer de grave anacronismo (o que é grave numa historiadora). Além disso, se eu estivesse a dizer esse tremendo disparate, estaria a ter a mesma atitude dos que eu critico: aqueles que dizem que vivemos num período de “asfixia democrática” e os que chamam “fascista” a tudo (sem saber o significado da palavra e do conceito), mas que, quando o «perigo fascista» se aproxima, não sabem detectá-lo. [...]»

José Reis Santos: «É impressão minha ou a recente entrevista de Ferro Rodrigues ao Expresso apresenta-o como putativo candidato do PS às próximas presidenciais? Na minha opinião seria um óptimo candidato, e despoletaria um cenário muito interessante. / Pelas pontes que o ex-secretário-geral socialista constrói nas esquerdas à esquerda do PS colocaria imediatamente pressão nessa zona política, preocupada quase em exclusivo em atacar o PS “de Sócrates”, e confrontaria BE e PCP na sua estratégia anti-PS. Estariam BE e PCP dispostos a apoiar este candidato do PS e confirmar que é só “deste PS” que bloquistas e comunistas fogem? Ou será que é mesmo do PS, seja ele qual for? [...]»

João Coisas: «Mal d’IVAs»

João Constâncio: «No texto A arte de ter sempre razão, Schopenhauer faz uma distinção bastante interessante. Uma coisa é argumentar ad hominem, outra é argumentar ad personam. A primeira consiste em partir das proposições aceites pelo oponente e procurar demonstrar que estão em contradição com outras proposições que ele já concedeu, ou que têm consequências absurdas, ou que são desmentidas por um exemplum in contrarium, ou que simplesmente não são prova do que ele pretende provar. Isso é diferente de argumentar ad rem, ou seja, de procurar a verdade sobre um dado tema independentemente das concessões do oponente com quem se discute. Mas argumentar ad personam é ainda outra coisa diferente: neste caso, trata-se de renunciar a todo o tipo de argumentação racional (mesmo que sofística) e atacar simplesmente a pessoa que se pretende levar de vencida. [...]»

João Galamba: «[...] Concluo que Ferreira Leite olha para economia portuguesa do seguinte modo: Portugal tem um problema de competitividade, baixo crescimento, défice externo, mas não vê a qualquer inter-ligação entre esses problemas e o paradigma produtivo que caracteriza a economia portuguesa. Mais (e pior): ao achar que basta reduzir custos através de um choque fiscal, esse sim arbitrário e cego, Ferreira Leite está apenas a dizer uma coisa: o nosso caminho é a redução de custos — baixar os custos associados ao factor trabalho. E assim nada faz para que Portugal abande o paradigma económico que nos conduziu aos desequilíbrios actuais. Assim não vamos longe.»

João Paulo Pedrosa: «No programa do PSD o grande suporte das propostas de redução da receita fiscal é o despedimento de 200 mil funcionários públicos. Dito por outras palavras, acabar com os serviços públicos de saúde, educação e prestações sociais e substitui-los por agentes privados e outsourcing. [...]»

João Pinto e Castro: «Interrogado pelo Jornal de Negócios sobre qual a medida mais urgente para combater a crise se assumisse a liderança do governo, Louçã respondeu: “A primeira prioridade, porque são precisas medidas de injecção de actividade económica, seria um plano de reabilitação urbana dirigido a uma parte das 500 mil casas que estão desocupadas. Isso envolveria cerca de 2.500 milhões de euros de gastos públicos, 1,5% do produto.” / Adoro o rigor da proposta. “Uma parte das 500 mil casas” quantas casas será? Se fossem mesmo 500 mil, o “plano” corresponderia a gastar não mais que 5 mil euros por casa, o que daria para pouco mais que pintar as paredes e mudar as lâmpadas./ Logo, não serão decerto 500 mil casas. De quantas estaremos então a falar: 400, 200, 50 mil? Só Deus sabe. [...]»

Leonel Moura: «O Bloco de Esquerda vai recolhendo algumas vantagens com a velha receita reaccionária das posições contra a política e os políticos. [...] O Bloco ilude-se com o seu sucesso conjuntural. Mas, na verdade, e vendo bem o efectivo apoio social que tem, trata-se de um fenómeno semelhante ao PRD. Vai esfumar-se ao primeiro abanão da pequena história. De momento, presta-se para já ao sujo serviço de tudo fazer para que o PSD regresse ao poder.»

Mariana Vieira da Silva: «Depois de lido o Programa e ouvido o discurso de Manuela Ferreira Leite podemos concluir: o PSD não quer ser Governo e Manuela Ferreira Leite não quer ser Primeira-Ministra. A candidatura do PSD, com aquele Programa, parece ser uma candidatura a um Gabinete de Estudos. [...]»

Miguel Abrantes: «Com pompa e circunstância, Sarkozy deu posse a uma comissão presidida por Michel Rocard e Alan Juppé, dois ex-primeiros-ministros, com o objectivo de identificar as áreas prioritárias que serão financiadas por um empréstimo contraído pelo Estado francês. Apesar de se estimar que o défice francês atinja 7,5 por cento do PIB no final do ano, Sarkozy teve o cuidado de alertar Rocard e Juppé para o seguinte: “Eu não restringirei a liberdade da vossa reflexão a um quadro orçamental preciso. O montante do empréstimo nacional dependerá das necessidades que vós ireis identificar e da capacidade de endividamento que nós tivermos”. [...] E não deixa de reivindicar uma política industrial pilotada pelo Estado, com base em grandes investimentos públicos. Compare-se esta visão do futuro com o programa eleitoral do PSD que será hoje apresentado pela Dr.ª Manuela.»

Miguel Vale de Almeida: «Para quem ainda acha que “é tudo a mesma coisa”, gostava que me dissessem que teria o PSD feito [...] em relação a questões de género como a IVG, a paridade, a violência doméstica, ou o divórcio, entre outras? [...]»

Palmira F. Silva: «[...] Mesmo assim, acho exagerado o optimismo com que se assume uma alteração radical dos comportamentos privados a nível da energia e da eficiência energética. Em particular se pensarmos que, a 31 de Dezembro de 2003, esta confiança absoluta na bondade das empresas privadas por parte do governo de Barroso e Ferreira Leite se traduziu na Portaria nº 1423-F/2003, que liberalizava os preços dos combustíveis com as consequências que todos sabemos e sentimos no bolso. Aparentemente esta bondade privada só é válida quando o PSD é governo porque todos também recordamos a estridência com que há bem pouco tempo o PSD acusava o governo de não “controlar” esses mesmos preços que o PSD liberalizou. [...]»

Porfírio Silva: «O homem que pensava que Os Lusíadas tinha nove cantos queria aproveitar estas férias para ler o décimo. Em vez disso tem passado os dias a vasculhar no jipe. Compreende-se que esteja zangado.»

Rogério da Costa Pereira: «[...] Devo trabalhar em comarcas de excepção [...] porque só esta semana — e aqui também ainda é Agosto — já consultei e fotocopiei processos em duas comarcas diferentes; recebi, só hoje, três notificações de duas comarcas distintas, as quais vinham acompanhadas dos respectivos despachos. E, veja lá, um dos despachos até ordenava a realização de uma perícia – e nada impediria o laboratório solicitado de a realizar durante o mês de Agosto. [...]»

Rui Herbon: «[...] Miguel Frasquilho, a propósito do crescimento de 0,3% do PIB: Portugal “anda à boleia da economia europeia.” Como país pequeno e periférico, andaremos sempre à boleia, mas preferiria Frasquilho que fosse do Burkina Faso, sem desprimor para o país da África Ocidental? [...]»

Sofia Loureiro dos Santos: «Descubra as diferenças».

Tiago Julião: «[...] Existe na esquerda e na direita esclarecidas uma extrema desilusão com a derrocada intelectual em curso no PSD, partido que já deu no passado contributos bem mais valiosos do que aqueles que dele hoje se podem esperar. [...] Na sua mais recente entrevista MFL teve o descaramento de falar em asfixia democrática em Portugal, escamoteando o facto do seu principal foco ser precisamente na Madeira, desgovernada por um político boçal, populista, homofóbico e prepotente que desrespeita sistematicamente as mais altas instituições da República. [...]»

Vera Santana: «[...] Um silêncio não é não comunicação mas sim comunicar que se não quer comunicar. [...]»

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DOIS ANOS, DIZ ELE


Aqui fica o texto publicado ontem às 23:55PM no SIMplex:


Falando hoje na Universidade de Verão do PSD, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que o programa eleitoral do partido é um documento «plausível». A parcimónia dá a medida do entusiasmo. Mas o melhor veio a seguir, quando afirmou que se trata de «um programa para as eleições de 27 de Setembro, mas [também] um programa que eu acho que me parece pensado para a hipótese possível, plausível, de sair um Governo minoritário e de haver novas eleições dois anos depois.»

Das duas uma: Marcelo não acredita na vitória do PSD, antevendo um governo do PS que caia com a gritaria da rua (no limite do prazo constitucional de dissolução da Assembleia da República por Cavaco, factor que encurta o prazo para menos de dois anos); ou Marcelo não acredita na capacidade de Manuela Ferreira Leite se aguentar mais de dois anos.

Pode haver uma terceira possibilidade: sem o dizer abertamente, como disseram, com diferente grau de convicção, João de Deus Pinheiro, Pina Moura e até Paulo Mota Pinto [«Não excluo nenhuma hipótese»], Marcelo pode estar a apostar numa solução do tipo Bloco Central, hipótese muito útil para apanhar os cacos da débâcle (BPN, BPP, etc.) financeira.

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Sábado, Agosto 29, 2009

BLOGUE & ROMANCE


Numa altura em que os apreciadores de blogues literários ou para-literários têm muito por onde escolher, a descoberta do António Rebelo da Silva só pode ser uma boa nova. Pois é. O senhor da foto ao alto, de seu nome completo José António Rebelo da Silva Barreiros, mais conhecido como penalista e presidente do Conselho Superior da Ordem dos Advogados, tem uma forte costela literária. E como não anda atrás das revelações da quinzena, a nova morada — passou por muitas, mantém algumas; vejam esta dedicada a Clarice Lispector — é absolutamente recomendável.

Natural de Angola, onde nasceu em 1949, autor de obras jurídicas e de livros de ficção, interessado por filosofia e ocultismo, investigador de mérito reconhecido da actuação dos vários serviços secretos que se estabeleceram em Portugal durante o período 1939-1945, José António Barreiros tem um romance no prelo que pode sair ainda este ano. Não veio anunciado nos balanços do costume? OK. Não será por isso que deixará de causar frisson. Talvez houvesse mais novidades a acrescentar, mas essa parte eu deixo ao cuidado das revistas Caras e GQ.

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O MARTINHO DA ARCADA


O Terreiro do Paço está em obras. Por essa razão, o trânsito encontra-se confinado a duas ruas: as da Alfândega e do Arsenal (uma prolonga a outra). Os proprietários do café Martinho da Arcada não se conformam com o facto de terem 140 autocarros por hora a passar defronte da esplanada. A irritação é legítima. Mas, numa cidade em que o trânsito é o que se sabe, em que até nos bairros residenciais mais pacatos há carros em cima dos passeios, em que o estacionamento em dupla fila se tornou “regra” em vários pontos da cidade — dois exemplos que conheço bem: a rua Frei Amador Arrais, entre a Avenida de Roma e o Bairro de São Miguel; e a avenida Miguel Bombarda entre a Casa da Moeda e a Gulbenkian —, não percebo a agitação à volta do Martinho da Arcada. A coisa mete manifesto, assinado por personalidades que não residem em Lisboa, como o realizador Manoel de Oliveira e os escritores António Tabucchi e Mário Cláudio, acompanhados do arquitecto Ribeiro Telles, do director do Museu Nacional de Arqueologia, do grão-mestre da Maçonaria, de um antigo ministro da Justiça e de meia dúzia de pessoas que estimo pessoal e intelectualmente.

Só quem não vive em Lisboa e não anda a pé desconhece o caos da cidade entre as 6 da manhã e as 10 da noite. Por exemplo, a escritora Inês Pedrosa, directora da Casa Fernando Pessoa, sabe bem o que custa atavessar a cidade de extremo a extremo para ir trabalhar num sítio impossível. Campo de Ourique será muito trendy, mas em matéria de trânsito (e acessos) não é pêra doce. A Inês também não assinou o manifesto: «Não faz sentido». E acrescenta: «Ainda outro dia tive de me ir embora da Brasileira porque havia espectáculos de rua permanentes e eu queria ter uma conversa que não se coadunava com o ambiente. Mas não é por isso que não devem existir espectáculos de rua.» Nem mais.

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Sexta-feira, Agosto 28, 2009

CITAÇÃO, 203


Diogo Moreira, Solidariedade, hoje no Diário Económico. Excertos com sublinhado meu:


«[...] Não defendo uma sociedade igualitária, ao contrário de partidos à esquerda do PS [...]

Defendo assim que o Estado deve proporcionar as condições necessárias para que a desigualdade natural dos indivíduos não seja impeditivo da sua ascensão social por via do mérito. Esta é a razão do Estado Social. [...]

A solidariedade inter-geracional está na origem do nosso sistema de segurança social. Pagamos com o nosso trabalho as reformas de quem já não trabalha, como no futuro outros pagarão as nossas.

Toda a arquitectura do Estado Social assenta também na solidariedade. Entre os que têm muito ou alguma coisa e aqueles que têm pouco ou nada. O meu ideal é que os pobres de hoje tenham possibilidade, caso o mérito deles o permita, a vir a ser os ricos de amanhã. O que menos se fala é que os ricos de agora podem, por vicissitudes, vir a ser os pobres do futuro.
[...]»


[Imagem de Graham Dean, 1987.]

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CITAÇÃO, 202


Vasco Pulido Valente, A cabeça de Louçã, hoje no Público. Excertos e sublinhado meu:


«Em véspera de eleições, Francisco Louçã deu uma entrevista à revista Sábado em que tenta explicar qual é a "identidade" do Bloco. [...] A propósito, cita Antero (que, de certeza, não leu ou percebeu), sem lhe ocorrer que subscreve, em nome do Bloco, uma das mais reaccionárias teorias sobre o atraso do país. Claro que o Bloco, coitado, se julga a nova elite. [...] O Bloco é um buraco, um vazio, um intervalo. Ou, mais precisamente, é o refúgio de quem não quer votar PC ou já não quer votar PS e por qualquer razão, sentimental ou outra, detesta a direita. [...]»

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SEBENTA


Estou pasmado com o programa eleitoral do PSD. Em futura edição revista, o documento configuraria o programa de um hipotético governo de Manuela Ferreira Leite — ou, segundo consta com cada vez mais insistência nos círculos que contam, de um governo chefiado por Eduardo Catroga —, ontem apresentado. Será por isso que Marques Mendes insistiu na necessidade de o partido divulgar, antes das eleições, a composição do governo-sombra do partido?

Achei mirabolante a parte em que o PSD se propõe remunerar magistrados em função da sua produtividade. Ainda na área da justiça, a “introdução” de prazos só pode ser uma gaffe. Porque os prazos indicativos já estão definidos no Código de Processo Civil. Nunca deu o resultado pretendido exactamente por serem “indicativos” e não taxativos. A norma existe há muito. Devem ter-se enganado no adjectivo.

O TGV é outro must. Ficamos a saber que a linha Lisboa-Madrid é imprescindível. O projecto teria de ser reavaliado (mais uns milhões em estudos), mas é para avançar. Notem: Lisboa-Madrid.

Na saúde, propõe-se abolir as taxas moderadoras nos internamentos e cirurgias. Prevejo um desastre no SNS, mas devo ser eu que sou céptico.

Na esfera da sociedade civil, o PSD propõe-se reanalisar (revogar?) o regime de divórcio.

Os professores do ensino básico, preparatório e do secundário, se votarem PSD, chegam todos a titulares. Mesmo os que dizem «Os meus alunos haverão de ser os melhores da sua geração».

Propondo menos Estado, o PSD não diz como fazê-lo. A vacuidade permite todas as possibilidades. Despedir 40% dos funcionários públicos, o que significaria acrescentar 300 mil desempregados ao meio milhão que já temos? Reduzir vencimentos? Congelar pensões de aposentação? Privatizar a Caixa Geral de Depósitos? Extingir 50 institutos públicos? Extinguir a ADSE? Reduzir as discrepâncias entre corpos especiais (médicos, magistrados, professores, militares, diplomatas, etc.) e o regime geral? Abolir as tenças dos funcionários do ministério das Finanças? Abrir mão das golden shares? Privatizar a distribuição de água?

A Segurança Social é para manter na próxima legislatura, mas o PSD estudará «a introdução de medidas destinadas a que a pensão de reforma dos portugueses passe a ser encarada [...] como uma responsabilidade individual». É preciso explicar mais?


[A imagem é de Ana Vidigal.]

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J.-M. G. LE CLÉZIO


Hoje no Público:


Em Outubro do ano passado, quando a Academia Sueca escolheu Jean-Marie Gustave Le Clézio (n. 1940) como Nobel da Literatura, já quase ninguém se lembrava do jovem que aos 23 anos recebeu o Prémio Renaudot pelo livro de estreia, Le Procès-verbal. (Publicado em 1963, voltou às livrarias portuguesas em Dezembro de 2008, numa edição Europa-América, com o título O Processo de Adão Pollo e tradução de Manuel Villaverde Cabral.) Não se compreende que uma obra importante e extensa como a sua — meia centena de títulos de ficção, ensaio e literatura para a infância — tenha uma divulgação errática em Portugal: sete livros traduzidos em 45 anos. Isto a despeito dos prémios (muitos), dos textos laudatórios que Beckett e Foucault lhe dedicaram, e de uma vida aventurosa reportada na imprensa. Natural de Nice, filho de um cirurgião britânico que regressou à ilha Maurícia depois de uma comissão de serviço na Nigéria, Le Clézio passou a infância naquela ilha do Índico, dividindo actualmente o seu tempo entre os Estados Unidos e a Riviera francesa. O escritor tem dupla nacionalidade: britânica e francesa (e não mauriciana, como por vezes aparece escrito). As razões da sua expulsão da Tailândia, país onde trabalhou como cooperante militar no fim dos anos 1960, nunca foram devidamente esclarecidas.

Ritournelle de la faim foi publicado pela Gallimard pouco antes da atribuição do Nobel. Na sua aparente simplicidade, o título português, A Música da Fome, é de rara felicidade: o termo ritornelo é aplicado à introdução instrumental de composições vocais como madrigais e refrões, o que faz todo o sentido numa obra de carácter fragmentário como esta. Não obstante certa desaceleração de fôlego, pode-se dizer, sem risco de escândalo, que A Música da Fome é um regresso aos melhores momentos: A Febre (1965), Le Déluge (1966) e esse monumento anti-moderno que constitui a trilogia formada por La Guerre (1970), Les Géants (1973) e Voyages de l’autre côté (1975). A partir daí, Le Clézio concentrou-se na vida dos povos nómadas, como os berberes de Marrocos e os índios emberas do Panamá, factor que terá contribuído para desviar o foco da cena literária. A idade explicará a recente deriva autobiográfica, com epicentro na família Brun, originária da ilha Maurícia. Na realidade, os Clézio, originários da Bretanha, estão na ilha desde o século XVIII. Ethel Brun é o alter-ego da mãe do autor, circunstância que o narrador não dissimula.

A pretexto do quotidiano parisiense de Ethel, A Música da Fome ilumina a vida dos imigrantes desenraizados, apanhados na curva dos anos 1920-30, quando, para as pessoas comuns, bolchevismo e anti-semitismo eram conceitos difusos, num tempo em que a França começava a deixar de ser a terra dos “sem-Pátria”. O preâmbulo é eloquente: «Conheço a fome, sofri-a. Criança, no fim da guerra, faço parte dos que correm pela estrada ao lado dos camiões dos Americanos, estendo as mãos para apanhar embalagens de chewing-gum, chocolates, sacos de pão que os soldados arremessam pelo ar. Criança, sinto tanta sede de gordura que bebo o azeite das latas de sardinha...» Le Clézio confronta a França com as suas responsabilidades históricas na ocupação alemã. A hipocrisia da maioria silenciosa, orgulhosa da sua “superioridade moral”, conivente com os pacifistas, os defensores dos acordos de Munique, os colaboracionistas, os activistas de extrema-direita reunidos na CSAR (Comissão Secreta de Acção Revolucionária), em suma, com Pétain e a essência do nazismo. Tudo no mesmo saco: «os oportunistas, os corruptos, os saqueadores [...] os realistas, os fourieristas, os racistas, os suprematistas, os misticistas...» Não havia como escapar, o regime de Vichy atolou a França num lodaçal. Ethel sabia que o seu mundo se desmoronara, ficando «reduzido à água de um canal». Vagueava como uma sombra, Nice era agora uma cidade de opereta, «pano de fundo dos ingleses do tempo de Lord Brougham & Vaux, russos do tempo da imperatriz e de Marie Bashkirtseff, cidade indiferente e cruel, sobreexposta ao sol e ao vento...». A narrativa é um ajuste de contas com esse passado de vergonha.

O aspecto mais interessante é o ponto de vista do narrador. Le Clézio escreve “de fora”, isto é, como estrangeiro. É o francês ultramarino capaz de distância crítica para lavar as mãos da herança de Céline.


O regresso do profeta, in Ípsilon, 28-8-2009, p. 26. Cinco estrelas.

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Quinta-feira, Agosto 27, 2009

CITAÇÃO, 201


André Couto, Rumo à Justiça, hoje no Diário Económico. Excertos e sublinhados meus:


«José Sócrates e Luís Marques Mendes almoçaram a 8 de Setembro de 2006 em Belém. O repasto celebrava a assinatura do Acordo para a Reforma da Justiça...

[...] designadamente ao nível do Processo Penal, da questão do Mapa Judiciário ou do Estatuto dos Magistrados. Numa atitude de louvar, assumiram-se algumas convergências políticas, colocando-se de parte as divergências. A Justiça ganhava novo alento como vertente vital do Estado de Direito e meio pelo qual este se realiza.

Os múltiplos interesses em jogo não eram facilmente conciliáveis, sendo certo que as corporações, instaladas em quintas ornamentadas durante décadas, criaram vícios e privilégios dos quais não pareciam pretender abdicar. O caminho delineado era difícil e corajoso mas, apesar das dificuldades, assumiu-se um compromisso. Porém, o PSD, logo após a saída de Luís Marques Mendes, e pela mão dos líderes que lhe sucederam, empenhou-se em rasgar o acordado.

Já o Governo, mostrando que fora eleito para governar, cumpriu a palavra dada ao PSD e ao país, investindo no cumprimento das reformas prometidas no programa eleitoral e no Acordo. Hoje a desmaterialização, eliminação e simplificação de actos processuais geram eficácia e redução de custos. O Plano Tecnológico da Justiça (CITIUS) é uma realidade. No quotidiano de cidadãos e empresas surgiram facilidades como o Nascer Cidadão, Casa Pronta, Documento Único Automóvel, Registo Predial online ou Empresa na Hora, bem como meios alternativos de resolução de litígios como os Julgados de Paz. Tudo isto mudou a face da Justiça, sendo certo que alguns dos efeitos apenas a longo prazo se sentirão.

Ao longo da governação, o PS, por força da concretização das reformas que a Justiça há muito reclamava, conquistou inimigos, factura da ousadia de querer mais e melhor para o país sem olhar a interesses ou ceder a pressões. Já o PSD, pela mão dos seus sucessivos líderes
[...] seguiu pelo terreno fácil do populismo sem rumo, apoiando todos os que discordam do Governo.

Atendendo a isto, qual é hoje o valor da palavra do PSD?
[...]

Estabilidade, identidade e firmeza nos passos dados são requisitos essenciais para governar. A história prova que é no PS que os portugueses podem confiar. O presente não é excepção.
»

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APRENDIZ DE MAQUIAVEL


Por razões fúteis de explicar, praticamente só vejo o Jornal 2. É curto, não tem histórias de faca e alguidar e as notícias são secas, como compete a um telejornal. Ontem foi um daqueles dias em que não pude ver, por causa daquela foto ali em cima, by Ana Vidigal. Mas houve quem chegasse atrasado por causa de Maquiavel. Quem diria!

Custa a acreditar, mas Paulo Rangel, eurodeputado europeu e membro do inner circle de Manuela Ferreira Leite, numa atitude que só pode ser entendida como de desautorização de Marques Mendes, afirmou, citando Maquiavel, que não podemos confundir ética com política. Não é extraordinário? Tudo isto se passou ontem numa das sessões da Universidade de Verão do PSD, onde, na véspera, o antigo líder do partido voltara a insistir na necessidade de separar as águas (a propósito da surpreendente inclusão de arguidos nas listas do partido). Por muito que os costumes da tribo o desmintam, Rangel não pode torcer os valores, afirmando que ética e política são dissociáveis. Um desabafo no Snob, às 4 da manhã, percebe-se. Numa prédica institucional em vésperas de eleições, é alarmante. Claro que Rangel não é obrigado a ler Maquiavel. Eu, por exemplo, nunca li Kurt Gödel. Mas também não o cito.

Estas guerras do Alecrim e Manjerona são reveladoras da desorientação do PSD. Pretender que a política se reduz à arte de manipular (como, em certa medida, sucedeu no século XVI), dá bem a medida da renovação do maior partido da oposição.

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Quarta-feira, Agosto 26, 2009

PRESTAÇÕES SOCIAIS & CLASSE MÉDIA


Aqui fica o texto publicado hoje às 16:10PM no SIMplex:


A Joana nasceu em 1947 e é técnica superior da função pública há 38 anos. Depois dos descontos obrigatórios, o seu vencimento líquido corresponde a 1320,70 euros. O marido da Joana, o André, agora com 63 anos, é quadro médio de uma empresa do sector privado há 27 anos (antes era trabalhador por conta própria). Aufere um salário líquido de 1846,40 euros. Os dois filhos do casal estão casados. A Joana e o André dispõem todos os meses de 3167,10 euros limpos. Até 1992, viveram numa casa que os pais do André tinham desocupada na linha de Cascais. Mas, com a morte dos pais num acidente de viação, os dois irmãos do André quiseram fazer partilhas da casa. Pediram uma avaliação: 90 mil contos [450 mil euros]. Cada um dos irmãos queria a sua parte. O André propôs pagar renda, o que nunca fizera aos pais. Em 1992 ofereceu 100 contos de renda. Os irmãos não aceitaram, a casa foi vendida ao fim de oito meses por 72 mil contos [360 mil euros], e o André e a Joana foram ao banco pedir um empréstimo para comprar um apartamento de 120 metros quadrados. Como o empréstimo é de 1993, e foi a 90% do valor total, a hipoteca está longe de vencida. Por causa da quebra da Euribor, estão neste momento a pagar 470,16 euros por mês.

Aparentemente, vivem no melhor dos mundos. Mas a mãe da Joana (uma senhora de 92 anos) tem Alzheimer e teve de ser internada num lar a 42km de Lisboa, que cobra 1360,00 euros mensais, importância que, naturalmente, não inclui medicamentos, nem fraldas descartáveis, nem consultas médicas, nem actos de enfermagem, nem fisioterapeuta. Essa verba é suportada a 100% pelo casal, por duas ordens de razões: a Joana não tem irmãos com quem dividir a obrigação; o rendimento colectável do casal, superior a 44 mil euros anuais, impede-os de solicitar qualquer tipo de prestação social.

Histórias como estas há muitas. O André e a Joana ainda são uns privilegiados: têm emprego e recebem um pouco acima do salário médio, embora nenhum deles trabalhe menos de 9/10 horas por dia.

Quando a direita vem falar no auxílio aos pobres, em clave caritativa, está a fazer de conta que não vê a real dimensão do problema. O tal suplemento de 200 euros que drª Maria José Nogueira Pinto achava que iam ser gastos em droga, e o rendimento social de inserção que Paulo Portas considera um incentivo ao lazer, sendo ambos indispensáveis, estão longe de resolver o problema do empobrecimento geral da soi disant classe-média. Estão em causa pessoas. As pequenas e médias empresas podem ser (e são) muito importantes para o tecido social, mas são feitas de pessoas. E eu ainda não ouvi o PSD a falar de pessoas. Nos melhores momentos falam de macro-economia. E nos piores fazem demagogia com o investimento público. Não é preciso um MBA em economia para perceber isto.

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CITAÇÃO, 200


Ana Paula Fitas, Igualdades, hoje no Diário Económico. Excertos e sublinhados meus:


«Factores estruturais da dimensão política, as representações culturais interferem decisivamente no investimento pessoal e colectivo, características inerentes à participação activa na sociedade.

De facto, instâncias como a auto-estima e a auto-representação sustentam o desenvolvimento das competências de adesão à mudança, reforçando a confiança indispensável às escolhas assertivas implícitas na inovação e na criatividade. Num país onde a hierarquização social marca ainda de forma significativa, os comportamentos ao nível dos valores e das práticas
[...] requerem condições de exercício da cidadania, sem as quais a mudança não progride e o país não avança. Este trabalho, quase sempre ausente da agenda política, foi, contudo, perspectivado como prioritário e protagonizado de forma sistémica pelo actual Governo socialista, liderado por José Sócrates.

O investimento nas políticas para a igualdade constituiu-se, ao longo desta legislatura, como instrumento estratégico determinante para o trilhar de um caminho que não admite retrocessos; não só porque a igualdade de oportunidades para todos é um lema essencial à preservação e ao aperfeiçoamento da democracia contemporânea, mas também porque significa a luta activa contra a discriminação, os preconceitos e os estereótipos
[...]

A produção legislativa e a intensidade das campanhas nestas áreas decisivas para a construção de uma cidadania activa alcançaram um impacto social que colocou os portugueses na vanguarda da União Europeia no que respeita à defesa dos valores e à adopção dos princípios democráticos
[...] Referimo-nos, em concreto, à luta contra o tráfico de seres humanos, à violência doméstica e à violência de género; à defesa e protecção das vítimas de maus-tratos e à prevenção e assistência de práticas discriminatórias em função da deficiência, da idade, da etnia, da orientação sexual, da religião e do sexo. A igualdade de oportunidades para todos e a valorização da diversidade são os princípios que nos garantem o futuro, razão pela qual neles investiu o Governo socialista, que anuncia a sua continuidade em áreas como a educação, as empresas e o acesso ao mercado de trabalho. Um trabalho indispensável a um Estado que trabalha, acima de tudo, para as pessoas e que apenas o Partido Socialista tem condições para consolidar.»

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SER OU NÃO SER


Agora que o n.º 83 [Setembro] da LER já está na rua, aqui fica a crónica Ser ou Não Ser, que publiquei na minha coluna Heterodoxias, no n.º 82.


A morte recente de Glória de Sant’Anna pôs de novo em pauta a questão de saber o que significa ser um poeta moçambicano. A discussão vem do tempo em que tais formalismos eram motivo de querela. Tenho memória das polémicas entre Eugénio Lisboa e Rodrigues Júnior. Não me vou alongar, mas para que o leitor não perca o pé, fica dito que as teses e antologias de Alfredo Margarido e Luiz Forjaz Trigueiros eram fonte de atrabílis. Contra ambos, Lisboa foi curto e grosso: «Dizer aos nossos divulgadores metropolitanos que a poesia em Moçambique é outra coisa, que a poesia, mais simplesmente, é outra coisa; que se deixem disso, se o fenómeno literário os não interessa seriamente como literatura...» O inventário era sulfuroso.

Agora, na morte de Glória de Sant’Anna, jornais e agências telefonam a inquirir da sua importância “no contexto” da poesia moçambicana. Não sei, não estava lá, mas não estou a ver o Monde a perguntar pela importância da Duras “no contexto” da literatura indochinesa, ou o de Derrida “no contexto” da filosofia argelina. Aliás, ninguém indaga da importância de Fernando Gil e José Gil para a filosofia moçambicana!

Quer isto dizer que não há poetas moçambicanos? Claro que há. O que não faz sentido é meter tudo no mesmo saco. São indiscutíveis poetas moçambicanos Rui de Noronha (1909-1943), José Craveirinha (1922-2003), Poeta Nacional por aclamação e Prémio Camões em 1991, Noémia de Sousa (1926-2003), Rui Nogar (1932-1993), Virgílio de Lemos (n. 1929), Heliodoro Baptista (1944-2009), Jorge Viegas (n. 1947), Gulamo Khan (1952-1986), Luís Carlos Patraquim (n. 1953), Eduardo White (n. 1963) e outros. Verdade que Noémia de Sousa viveu em Lisboa a partir de 1951, que Virgílio de Lemos continua em Paris desde 1963 (os poemas anteriores ao exílio assinou-os com o pseudónimo de Duarte Galvão), e que Luís Carlos Patraquim deixou Moçambique em 1986.

Nada em comum com os primeiros expatriados: Salette Tavares (1922-1994), que veio para Lisboa em 1932; Alberto de Lacerda (1928-2007), que saiu de Moçambique em 1946 e viveu em Londres a partir de 1951; e Helder Macedo (n. 1935), que saiu de Moçambique em 1948 e vive em Londres desde 1960. Aliás, Londres tem sido um sorvedouro de moçambicanos: Rui Knopfli também lá viveu entre 1975 e 1997.

O busílis marca quem lá ficou até ao ano da independência. Isso acrescenta à lista uma série de nomes. Os mais conhecidos são Rui Knopfli (1932-1997), Glória de Sant’Anna (1925-2009), João Pedro Grabato Dias (1933-1994), que se desdobrou pelos heterónimos Frey Yoannes Garabatus e Mutimati Barnabé João — ficou célebre a ira de Samora Machel quando descobriu que o “guerrilheiro” que dava voz ao povo era, afinal, o seu amigo pintor António Quadros —; Sebastião Alba (1940-2000) e Lourenço de Carvalho (n. 1941). O embaraço da crítica é evidente. Como situar os pied noir do Império? Curiosamente, nunca vi a questão colocada relativamente a Angola. Mas Moçambique fica do outro lado do mundo.

Em Reflexões sobre o exílio (2001), Edward Said afirma que «Ver um poeta no exílio — ao contrário de ler a poesia do exílio — é ver as antinomias do exílio encarnadas e suportadas com uma intensidade sem par.» Se a isto juntarmos o que o mesmo Said disse antes de morrer, «ainda não fui capaz de compreender o que significa amar um país», temos o quadro em toda a sua crueza.

Tendo como pátria declarada a língua portuguesa, à revelia da identidade nacional, Knopfli (natural de Inhambane) pagou caro a escolha de entender, como T. S. Eliot, que as literaturas pátrias compõem «uma ordem simultânea» (cf. The Sacred Wood, 1976). Sucede que a insistência nos rótulos — moçambicano, albicastrense, etc. — oblitera a totalidade da literatura. Não admira portanto a desorientação com Glória de Sant’Anna, voz ática que dos matos de Pemba fez a síntese de Sophia com Cecília Meireles.


[Na imagem, Rui Knopfli, fotografado por mim, em Dezembro de 1983, em Cascais.]

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COMO ASSIM?


Aqui fica o texto publicado ontem às 18:36PM no SIMplex:


O Vasco M. Barreto, que leio sempre com agrado, passou-se. Em que parte do Decreto da AR n.º 349/X, que pode ser lido na íntegra aqui, em que parte, pergunto eu, descobre ele que a 1.ª alteração à Lei n.º 7/2001, de 11 de Maio, «aproxima» o regime das uniões de facto ao casamento?

O casamento deixou de prever regime sucessório e eu não dei por isso? Os cônjuges sobrevivos deixaram de ter direito a pensão de sobrevivência e essa também me escapou?

Eu percebo os argumentos do PR e os da drª Maria José Nogueira Pinto. Já não percebo os da Helena Matos, que mistura a impossibilidade de casar (ou, na sua formulação, o não-reconhecimento pelo Estado das respectivas uniões) dos homossexuais e dos polígamos, como se fossem realidades análogas. Mas os polígamos são casados! Senão não eram polígamos. Seriam, quando muito, conforme a classe social, playboys ou gandulos promíscuos... Adiante. Com isso posso eu bem. Quem me deixou aturdido foi o Vasco. Fez-lhe mal ter deixado o Upper East Side...

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Terça-feira, Agosto 25, 2009

CITAÇÃO, 199


Sofia Loureiro dos Santos, Recursos humanos — SNS, hoje no Diário Económico. Excertos, sublinhados meus:


«O compromisso dos profissionais de saúde que asseguram os cuidados de saúde implica o aprofundamento permanente de aptidões e competências, garantindo-se assim cuidados seguros e de qualidade.

[...] O SNS é uma das melhores realizações da era democrática. As mudanças que se têm operado na sociedade e os avanços tecnológicos nesta área em concreto transformam a adequação de meios e a reestruturação da rede de cuidados primários, de urgência, hospitalares e de cuidados continuados numa obrigatoriedade.

Os recursos humanos são a chave do sucesso em qualquer sector. Por muito bem apetrechadas que sejam as estruturas e as instituições, por muito avançados e automatizados que sejam os equipamentos, tem que se investir mais na formação e motivação dos profissionais.

Estes são escassos e estão sobrecarregados. É de todos conhecido o erro continuado na redução de vagas para os cursos de medicina, que perdurou por décadas. Por isso o aumento destas é essencial, sendo também de reequacionar a distribuição e o tipo de selecção dos candidatos.

[...] É portanto muito importante que o PS assuma um compromisso com a qualificação, motivação e diferenciação dos profissionais de saúde, investindo nos seus recursos humanos, indispensáveis a um Serviço Nacional de Saúde universal e de qualidade.»

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LER 83


A LER n.º 83 (Setembro) já está na rua. Desta vez há duas entrevistas de fundo. A de Carlos Vaz Marques com Miguel Sousa Tavares, «Estou confortavelmente sentado em cima de um milhão de livros vendidos»; e a de José Riço Direitinho com José Gil: «Não fizemos o luto do salazarismo». A pretexto de uma peça de Joan Didion que o Teatro Nacional vai levar à cena a partir de Novembro, Susana Moreira Marques foi a Nova Iorque conversar com a autora de O Ano do Pensamento Mágico. (Livro admirável. Existe tradução portuguesa de Eduarda Correia, publicada pela Gótica em 2006. Não há desculpa para não ler.) E ainda o que faz da LER uma verdadeira revista literária: recensões críticas, notas de leituras, pré-publicações, gossip, as crónicas dos malandros do costume, os desenhos do Pedro Vieira, novidades da rentrée, uma antevisão do Centro Mário Dionísio, que abre no próximo 29 de Setembro, etc. E depois há um exagero made by Casanova, mas eu tenho tido outros parecidos, e quem tem telhados de vidro... Diz ele que The Wire / A Escuta é a melhor série de sempre. Vi as cinco temporadas, cada uma melhor que a anterior, fiquei a pensar que a 4.ª devia ser oferecida à Fenprof e àquele senhor que tem um blogue no umbigo (estou a falar a sério: aquilo é mesmo matéria de estudo para profs; a 4.ª temporada de The Wire, quero eu dizer), mas os argumentos de Mr. Casanova, coincidindo em muitos pontos com os meus, não me convencem a destronar 24.

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CITAÇÃO, 198


Mário Crespo, Fontes secas, ontem no Jornal de Notícias. Excertos, sublinhados meus:


«A questão das escutas em Belém interpela três instituições da democracia em Portugal — o Governo, a Presidência da República e a Imprensa. Seguindo ridículo a ridículo o desenrolar da opereta, só se pode concluir que houve jornalismo que entrou em perigoso conúbio com fontes de Belém para criar um factóide de represália que respondesse às simplórias acusações de colaboracionismo entre Belém e a Lapa na elaboração do programa do PSD.

[...] A desesperada tentativa do jornal de tentar credibilizar a sua notícia levou a incluir na página dos relatos não substanciados uma coluna onde se lia que já o procurador-geral tinha dito que era escutado no seu gabinete. O que é que isto tem a ver com o caso? Nada. O que é que isto tem a ver com este jornalismo de opinião e a suas fontes? Tudo.

Já tive a minha dose de problemas com
“fontes de Belém”. Denunciei-as por estarem a colocar sob anonimato notícias nos jornais que depois não confirmavam oficialmente, criando embaraços aos editores mais crédulos. O chefe da Casa Civil, Nunes Liberato, brindou-me com uma queixa aos meus empregadores. É distinção que me honra e faz curriculum. Fiquei agora a saber que “as fontes de Belém” estão não só secas de confirmações, mas estão a secar a dignidade informativa à sua volta.»

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Segunda-feira, Agosto 24, 2009

CITAÇÃO, 197


Rui Herbon, Cultivos, hoje no Diário Económico. Excertos, sublinhados meus:


«Portugal teve sempre uma relação difícil com a cultura: nunca foi encarada enquanto factor de desenvolvimento humano e económico.

Nesse sentido o nosso atraso cultural atravessou todo o século XX sem grandes alterações, independentemente do regime. Mesmo depois do 25 de Abril, apenas sob a tutela de Carrilho/Vieira Nery houve uma política cultural integrada, na qual foram lançadas uma série de pontes para o futuro, imediatamente arrasadas pelo governo PSD/PP. Esta aversão cultural, instalada também na classe política, parte de dois pressupostos inválidos:

1) A cultura é vista como um sector subsídio-dependente e, no entender de alguma direita, parasitário. Ora, o que não falta em nosso redor são sectores que por uma razão ou por outra são sistematicamente apoiados pelo Estado: a agricultura, as pescas, [...] até a banca. [...] Nesse sentido, não dispondo de dados relativos à economia portuguesa, refiro o caso do Brasil, onde a cultura representa directamente 1% do PIB, e indirectamente 3%.

2) Uma das razões apontadas para o nosso atraso estrutural, para a nossa pouca produtividade, é a falta de qualificação dos portugueses, relativamente a outros países europeus. A questão é que nesses países com maiores competências formais há em medida igual ou superior um maior nível cultural. Ou seja, educação e cultura parecem ter uma relação, que a meu ver funciona de forma recíproca. [...]

José Sócrates reconheceu que o Governo falhou nesta área, e encara-a como uma das prioridades para o próximo mandato. Reuniu com agentes culturais e definiu um programa com uma série de pontos que me parecem positivos, nomeadamente no apoio à criação. Creio que se José Sócrates puser neste sector parte do empenho que dedicou ao Plano Tecnológico podemos ter mudanças significativas. Já do lado do PSD, o outro partido que pode liderar um futuro governo, não se ouve nada: nem críticas, nem propostas. E eu, como Sophia, grito contra o silêncio.
»


[Na imagem, Manuel Maria Carrilho fotografado por Carlos Lopes para o Público.]

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NOVO FÓRUM


Nasceu um novo fórum de debate de ideias, com vista às próximas eleições legislativas, o Políticas do Futuro, dinamizado por Carlos Santos e Paulo Querido. A coordenação é de Vítor Coelho, gestor da rede PNET.

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EQUIPARAÇÃO?


O Presidente da República vetou o Decreto n.º 349/X, da Assembleia da República, relativo à primeira alteração da Lei n.º 7/2001, de 11 de Maio, conhecida por Lei das Uniões de Facto. A sua argumentação pode ser lida na íntegra aqui.

Conheço o teor do diploma, de uma timidez confrangedora. As alterações à Lei de 2001 são de semântica, não tocando no essencial. A título de exemplo, o direito sucessório continua omiso.

Por isso me suscita perplexidade a mensagem enviada à Assembleia da República. Equiparação a casamento? Em que parte?

Alguns excertos: «[...] a equiparação do regime jurídico das uniões de facto ao regime do casamento pode redundar, afinal, na compressão de um espaço de liberdade de escolha [...] de uma tendencial equiparação entre duas realidades distintas [...] na criação de dois tipos de casamento ou, melhor dizendo, de transformar a união de facto num “para-casamento”, num “proto-casamento” ou num “casamento de segunda ordem”. [...] sem contestar a eventual necessidade de se proceder a um aperfeiçoamento do regime jurídico das uniões de facto — um juízo que deve caber, em primeira linha, ao novo legislador — considera-se que, na actual conjuntura, essa alteração não só é inoportuna como não foi objecto de uma discussão com a profundidade que a importância do tema necessariamente exige, até pelas consequências que dele decorrem para a vida de milhares de portugueses.»

Em que ficamos?

Ler aqui o texto do diploma (Decreto 349/X) vetado.


[Descubram lá nesta foto de 1938, da família real grega, quem, estando a casar, vivia em união de facto com quem... com o conhecimento de toda a realeza europeia.]

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A NARRATIVA DO MEDO


Ou muito me engano, os a manchete de hoje do Correio da Manhã vai dar o tom da campanha que aí vem — Espiões alastram nos serviços públicos. Afinal, o que é que se passa?

A Lei n.º 9/2007, aprovada na Assembleia da República em 11 de Janeiro de 2007, promulgada pelo Presidente da República a 8 de Fevereiro, referendada pelo primeiro-ministro no mesmo dia, e publicada no Diário da República, I Série, n.º 35, de 11 de Fevereiro, prevê a assinatura de protocolos para combate ao crime financeiro e à criminalidade organizada dentro dos organismos do Estado. Esses prorocolos são da responsabilidade do Serviço de Informações da República, vulgo SIS, e do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa, vulgo SIED. Para já, a intenção é colocar agentes nos ministérios das Finanças, Negócios Estrangeiros e Administração Interna, podendo ser alargada a outros.

Mas qem lê a manchete julga estar no reino da Stasi. Lembrar que a Lei n.º 9/2007, de 11 de Fevereiro, revoga legislação análoga dos governos de Cavaco Silva (1985-95). Nada de novo, portanto. Nenhum partido suscitou a sua constitucionalidade.

Os media afectos à oposição (sem os quais nenhuma democracia subsiste), na falta de programas concretos para discutir — que fazer ao desemprego?, quais as vias plausíveis da retoma económica?, como diminuir a dívida pública?, como refundar o sistema de Justiça?, que modelo de avaliação para os professores?, como aperfeiçoar o Serviço Nacional de Saúde?, etc. — escolhem o caminho mais fácil. Incutir medo. É pena. Mas cada dia que passa vai ser pior.

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VENTO NÃO É CERTAMENTE


Aqui fica o texto publicado ontem às 19:07PM no SIMplex:


Três adversários políticos, Almeida Santos, António Capucho e Paulo Portas, coincidem num ponto: o Presidente da República não tem de pronunciar-se publicamente sobre eventuais escutas a membros da sua Casa Civil. Mas deveria fazê-lo em privado, afirmam os três, com o primeiro-ministro.

A coisa pode ser vista de dois ângulos. Durante doze dias (entre 7 e 19 de Agosto), o objecto das escutas teve tratamento de notícia. Assessores de Cavaco Silva estariam a colaborar com o PSD na redacção do programa de governo social-democrata, facto assumido na página web do partido. Nada de especialmente escandaloso. A conspiração, chamemos-lhe assim, só começou no dia 19. Como a estória não tinha ponta por onde lhe pegar, no dia seguinte os media desenterraram episódios de há dezoito meses, envolvendo um senhor que, consta, se senta, em jantares de Estado!, em lugares que não lhe competem, aparentemente para ouvir o que outros dizem. O que é muito estranho porque, nesse tipo de jantares, a distribuição de lugares é nominal. Enfim, tudo isto é caricato e matéria a ser resolvida entre a revista Caras, chefes de protocolo e mordomos.

No momento em que dois conselheiros de Estado (Santos e Capucho) e o chefe da direita (Portas) tratam o assunto como coisa séria, e a generalidade dos comentadores exige consequências, começa a banalizar-se a ideia de que ninguém se dá ao respeito.

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Domingo, Agosto 23, 2009

IDADE DA PEDRA


Desafiada pela Bárbara Reis, uma das directoras do Público, a Isabel Coutinho passou uma semana na idade da pedra. É maneira de dizer. Durante 7 dias, a Isabel não pôde usar telemóvel, computador, internet ou iPod. Tal qual como quando o Público apareceu, em 1990, e ela foi uma das fundadoras. Teve medo do desafio:


«[...] Se tiver um acidente, como é que aviso alguém? Sem telemóvel?! Como vou saber como estão os meus amigos do outro lado do mundo? E se lhes acontece alguma coisa e ninguém me avisa? Como é que vou ler os jornais que só leio na Net? Vou perder as notícias no Twitter. Vou perder as novidades no Facebook. Não vou poder ir ao Google, nem ao YouTube, nem ao Friendfeed, nem guardar coisas no Publish2. Vou ser a pior jornalista do mundo. Ou será que não? Há 19 anos, quando eu era estagiária no PÚBLICO, não havia Internet em Portugal e eu também não tinha telemóvel. É um regresso ao passado. Mas o mundo mudou. E os outros sabem mais do que eu: têm acesso à Web 2.0. O sábado 1 de Agosto chegou e não consegui. Arranjei várias desculpas. Tinha de se fazer um vídeo para o site do jornal e as fotografias para a revista, era necessário desligar os aparelhos num momento em que estivessem a olhar para mim. [...]»


Mas conseguiu. O resultado vem hoje na Pública, a revista do jornal.

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Sábado, Agosto 22, 2009

MORAIS E CASTRO 1939-2009


A um mês de completar 70 anos, morreu hoje, vítima de cancro, o actor e encenador José Morais e Castro. Depois de Raul Solnado no passado dia 8, os sábados começam a ser aziagos para a vida artística portuguesa.

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FALÉSIAS & PME


Aqui fica o texto publicado ontem às 19:15PM no SIMplex:


A vida não está fácil para a maioria das pequenas e médias empresas, é verdade que não. Embora qualquer português minimamente informado saiba que há excepções. Querem exemplos? Aí vão dois: a Critical Software (Coimbra) e a YDreams (Lisboa). Quando o tecido empresarial é bem dimensionado e competente não precisa do Estado para nada. Não ponho links para não ser acusado de estar a receber luvas. A vida também não está fácil para a maioria dos trabalhadores por conta de outrem. E não me atrevo a classificar o estado em que deve estar para meio milhão de desempregados. Só não percebo o que é que isto tem a ver com a derrocada da falésia de Albufeira. A falésia desabou por culpa do PS, é isso?

Não percebe? Eu também não. Confira na coluna de comentários [do SIMplex] ali à direita.

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Sexta-feira, Agosto 21, 2009

SENA ESTÁ DE VOLTA


Cinquenta anos depois de ter saído de Portugal, Jorge de Sena (1919-1978) terá o seu corpo trasladado de Santa Bárbara (Califónia) para o Cemitério dos Prazeres, em Lisboa. A chegada dos restos mortais do escritor está prevista para a primeira quinzena de Setembro. Se fosse vivo, Sena completaria 90 anos no próximo 2 de Novembro. Em 1959, enojado com o ambiente irrespirável (e morava no Restelo...) do país, deixou Portugal definitivamente. Viveu no Brasil até 1965, ano em que se transferiu com a mulher e os nove filhos para os Estados Unidos. Lembrar que a Guimarães vai reeditar a sua obra completa, começando já em Outubro pelo romance póstumo Sinais de Fogo (1979) e por uma antologia da sua vastíssima obra poética organizada por Jorge Fazenda Lourenço. Mas para este ano ainda se prevê a reedição dos volumes de contos, bem como da novela O Físico Prodigioso. Mécia de Sena, a viúva, encontra-se a preparar a edição dos escritos políticos.

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CITAÇÃO, 196


Porfírio Silva, Ousar governar, hoje no Diário Económico. Excertos, sublinhados meus:



«No tempo da União Soviética, uma anedota resumia o impasse social visto pelos trabalhadores: “Eles fingem que nos pagam, nós fingimos que trabalhamos”.

Cá, a receita nacional para um equilíbrio perdedor é a narrativa dos “direitos adquiridos” em visão estática. Como se o melhor das nossas vidas tivesse de ser o passado

Para enfrentar esse derrotismo temos duas vias. A primeira é neo-teológica, substituindo a providência divina pela mão invisível, pelo proletariado ou pela metafísica do agente racional. A segunda reconhece a contingência: o progresso não está escrito nas estrelas; são os humanos, em sociedades concretas, que fazem a sua história. Só esta via, não determinista, reconhece autonomia e responsabiliza os agentes.

No mundo do trabalho, essencial à realização da maioria dos portugueses, isto pede o reforço do diálogo social. Dois cinismos ameaçam esta opção. Um aponta para casos de evidente manipulação de lutas laborais para depreciar a representação dos trabalhadores. Outro pretende que a existência de empregadores autoritários e fracassos negociais são obstáculo universal à negociação. O problema é que o cinismo custa caro. A abordagem da direita teve a sua ilustração no descalabro da contratação colectiva em 2004, com uma quebra (face a 2003) de 53% no número de convenções e de 60% nos trabalhadores abrangidos: os valores mais baixos em vinte anos. Sem quaisquer ganhos para a competitividade. Já o governo PS visou renovar as relações de trabalho e abrir-lhes novas perspectivas: impedir a caducidade acelerada dos contratos colectivos; melhorar os mecanismos de arbitragem; submeter os aspectos críticos da adaptabilidade à negociação colectiva e não individual.
[...]

É saudável que o programa de governo do PS, propondo um pacto para o emprego, aposte no aprofundamento desta via. Porque há que partilhar o esforço e os resultados dos sucessos para potenciar equilíbrios dinâmicos progressivos.

Os lobos podem atacar os cordeiros e isso constituir um facto social básico para ambas as espécies. Mas nem os lobos nem os cordeiros podem reconfigurar a sua vida social.
[...] E quem não souber reconhecer as diferenças acabará por favorecer os profetas das oportunidades perdidas.»

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ALBERTO MANGUEL


Hoje no Público:


Foi em 1996, com Uma História da Leitura, que Alberto Manguel (n. 1948) chamou a atenção de toda a gente. Nessa época já ele era um autor canadiano. Na vasta bibliografia, só o livro inaugural foi escrito na língua materna: Dicionário de Lugares Imaginários (1980), obra de que é co-autor com Gianni Guadalupi. A partir daí escreveu sempre em inglês. Manguel nasceu em Buenos Aires, mas passou a infância e parte da adolescência em Israel, onde o pai era embaixador. Voltou à Argentina para completar o ensino secundário, tornou-se íntimo de Jorge Luís Borges, viajou por todo o mundo antes de fixar-se no Canadá nos anos 1980, mas, não obstante a cidadania canadiana, vive actualmente em França. Manguel goza de uma fama notoriamente excessiva (a lista de prémios internacionais é impressionante). Embora tenha escrito romances e contos, alguns de natureza gay, e organizado antologias de diversa índole, é como ensaísta que se destaca. Os anos em que lia para Borges, já então cego, foram um bom tirocínio.

No Bosque do Espelho toma como ponto de partida a obra-prima de Lewis Carroll, adoptando como divisa o mot de Heraclito: «Nunca mergulhas no mesmo livro duas vezes». Trata-se de uma colectânea de ensaios de muito diversa proveniência: artigos encomendados, textos para cursos de jornalismo das artes, conferências, recensões críticas, antologias gay, introduções e posfácios. Manguel estabece um fio condutor entre textos de Borges, Cortázar, Chesterton, Melville, Cynthia Ozick, Santo Agostinho e outros. Do ponto de vista da erudição e do ofício, tem a perfeição do amanuense culto. Mas raramente nos surpreende com um golpe de asa.

Uma das excepções é a sanha com que “desmonta” Bret Easton Ellis a partir de Psicopata Americano (1991). A parte do anedotário é conhecida: depois de ter pago um adiantamento avultado a Ellis, e ter o livro impresso, a Simon & Schuster desistiu de o pôr à venda por causa da violência do conteúdo; saiu, como é sabido, sob chancela da Vintage Contemporaries da Random House. Mas Manguel aproveita para aliviar o fígado: «A primeira linha do livro é o lema de Dante para as portas do Inferno [...] De facto, tudo está montado de modo a levar o leitor a crer que a história que se segue é, de facto, de natureza literária: contemporâneo e irónico [...] moderno [...] sério e filosófico. As 128 páginas que se seguem (a primeira cena brutal começa na página 129) são agonizantes para qualquer pessoa que não esteja habituada a ler publicidade de moda. [...] Não é escrita; é um desfile de palavras com o propósito de fazer um catálogo.» E não poupa nos adjectivos: os relatos são «grotescos», a prosa «desajeitada», o estilo «débil» e o vocabulário «magro». Tudo por contraponto com Ovídio, Dante, Novalis, Sade, Kafka e Dostoievsky. Convenhamos na desproporção.

O ensaio dedicado a Cynthia Ozick é dos mais estimulantes. A partir das leituras que Ozick fez de Primo Levi, Manguel reflecte sobre a condição judaica, ameaçada pela «galáxia canibal da cultura cristã». Faz isso com argúcia e desenvoltura, sobretudo quando contrapõe os conceitos de raiva e misericórdia que, na perspectiva de Ozick, Levi relacionava com autodestruição.

A afirmação de que, «até à década de 1960, o Canadá mal reconhecia a existência da literatura canadiana» é completamente inesperada. Creditando esse reconhecimento à teimosia e perseverança de alguns editores, bem como à projecção da obra de Margaret Atwood — que classifica com paternalismo —, Manguel reserva os elogios para Richard Outram (1930-2005), «um dos melhores poetas em língua inglesa».

Tudo visto, parece-me fútil, para não lhe chamar pedante, ter alinhado os textos sob o enigmático patrocíno de Alice no País das Maravilhas. Mesmo nos ensaios sobre Borges, porventura aqueles em que está mais à-vontade, Carroll é uma fasquia muito alta para este argentino déraciné.


E Alice com isso?, in Ípsilon, 21-8-2009, pp. 30-31. Três estrelas e meia.

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Quinta-feira, Agosto 20, 2009

O STATU QUO


Aqui fica o texto publicado hoje às 12:56PM no SIMplex:


Infelizmente, as pessoas não querem saber de política. As pessoas querem clubite. Num país em que a ditadura (1926-74) anestesiou a opinião pública com futebol, a massa crítica tornou-se praticamete virtual. A emigração, sobretudo a dos anos 1950-60, não foi exclusiva do operariado pouco qualificado e, em regra, de esquerda. Hoje, infelizmente, o patamar subiu. É cada vez maior o número de quadros especializados (e mesmo de cientistas!) que emigra. Muitos formaram-se nos países que adoptam como seus. Outros não têm outro remédio se quiserem progredir nas áreas respectivas. Tirando o sector da finança, onde há sempre lugar para a meia-dúzia que entretanto fez tirocínios em Londres ou Nova Iorque, quando não mesmo em Madrid, o país não tem condições para dar emprego compatível às resmas de licenciados que todos os anos o ensino superior põe no mercado (mesmo considerando que três quintos pudessem ser aproveitados como amanuenses das autarquias do interior). A que leva o intróito?

A uma coisa muito simples. Muita gente, sobretudo da direita, mas não só, abjura o actual quadro partidário. O meu amigo Rui Zink, e o antropólogo Manuel João Ramos, ex-vereador da Câmara de Lisboa, até criaram o Partido Nulo. E os blogues de direita estão sempre a louvar-se nas conclusões de Medina Carreira, Silva Lopes, Campos e Cunha, etc., embora a maior parte das vezes não percebam o alcance das soluções (sobretudo as de Medina Carreira) propostas. Seria natural, num país com massa crítica autónoma, que tanto vitupera a «situação», isto é, o rotativismo entre PS e PSD, que essa maioria silenciosa se unisse em torno dos arautos do Apocalipse. Por que será que ninguém leva tais propostas a votos?

Porque a direita pretende mudar o que julga ser o acessório (o PS de Sócrates) para poder manter o statu quo.


[Imagem de Bruno Budrovic.]

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CITAÇÃO, 195


Hugo Mendes, O duplo pacto, hoje no Diário Económico. Excertos e sublinhado meu:



«Um dos mitos contemporâneos diz que a globalização torna o Estado social insustentável, sobretudo nos países pequenos. A direita regozija e a esquerda protesta, mas ambas aceitam a sua inevitabilidade.

O mito, porém, não sobrevive à análise: as economias mais integradas no comércio internacional são as dos pequenos países — os mesmos que construíram os Estados sociais mais generosos.
[...]

A discussão é particularmente actual no momento em que o PS propõe ao país um duplo pacto: para o reforço da internacionalização da economia e para a expansão do Estado social. Os pactos complementam-se porque permitem aumentar a coerência entre os regimes de produção de bens transaccionáveis e de protecção das pessoas. [...]

Os pactos não se complementam por acção da mão invisível do mercado, mas da mão visível do compromisso. O duplo pacto incentiva ao aprofundamento da coordenação cooperativa da economia, essa dinâmica negocial entre Governo, empresas e sindicatos, assente na concertação, na persuasão, e no incentivo — numa palavra, na política. Se alguns reduzem isto a “negociatas”, é porque lhe têm horror.»


[Imagem de Frank Renlie.]

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2666


Devo ser o único português que ainda não leu 2666 de Roberto Bolaño, o escritor chileno que morreu em 2003 aos 50 anos de idade, vinte livros publicados, entre eles três de poesia. A sua publicação póstuma, em 2004, tornou-se um fenómeno no mundo de língua inglesa. A tradução portuguesa está anunciada pela Quetzal para 26 de Setembro. A quantidade de gente, dos blogues, que lê, por semana, vários livros de mil e tal páginas, deixa-me sempre impressionado. Eu levei para férias (é como quem diz) a Servidão Humana (1915) de W. Somerset Maugham, porque o tinha lido aos 20 anos, e há obras que devemos reler na maturidade. Entre almoços à beira da piscina, sestas, drinks e jantares em Moledo, o livro voltou para Lisboa na p. 419, ou seja, a mais de duzentas do final, num paperback de letra miudinha. Das duas uma: ou ninguém trabalha, ou sou eu que sou lento.

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Quarta-feira, Agosto 19, 2009

CITAÇÃO, 194


Paulo Ferreira, 27 do 9, hoje no Diário Económico. Excertos e sublinhados meus:


«[...] A crise que afecta todo o planeta, e que só encontra paralelo na Grande Depressão de 1929, exige que todos assumam as suas responsabilidades, em especial os eleitores. [...]

Ao decidirem votar, os eleitores podem analisar os resultados obtidos pelo actual Governo, considerando também as soluções propostas e atempadamente apresentadas no programa de Governo pelo PS. Esta é uma alternativa clara, assumida e credível. É continuar o caminho das reformas e da modernização do país, um rumo com políticas progressistas a pensar no futuro.

À esquerda do PS promete-se tudo para todos, a troco de nada, sem qualquer noção ou sentido de Estado, promovendo a guerra contra o PS por pura conveniência estratégica e instinto de sobrevivência, usando e abusando da política de terra queimada e assumindo a fuga às responsabilidades do Poder e da governação, como o
“diabo foge da cruz”. É uma alternativa nula.

À direita do PS, o CDS, que perdeu a oportunidade de crescer durante o mais conturbado período da história interna do PSD, suportado num discurso demagógico e demasiado populista, tenta ser imprescindível ao PSD. Apenas. É uma alternativa de
‘outsourcing’.

Por outro lado
“este” PSD recorre a figuras dum passado longínquo e de má memória, acena com dados truncados e análises minimalistas, lança suspeições vagas e manipuladas e queixa-se de tudo e de todos, especialmente de si próprio. [...]

A alternativa que permite maior retorno do investimento do voto é a que mantém o rumo da governação, adaptado à nova realidade que emerge da crise e assimilando as lições da legislatura agora finda.
»


[A imagem é do crash de Wall Street, em 1929, mas podia ser defronte do BPP, em Lisboa, por estes dias.]

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