PINA BAUSCH 1940-2009

[A foto é de Julie Lemberger, 1997.]
Etiquetas: In Memoriam

Etiquetas: In Memoriam

Etiquetas: Citações

Etiquetas: Nonsense, Política nacional

Etiquetas: Política nacional

Etiquetas: Eleições, Política nacional

Etiquetas: Economia, Política nacional

Etiquetas: Crítica literária

Etiquetas: Edição, Literatura

Etiquetas: Política nacional

Etiquetas: Edição

Etiquetas: Política nacional

Etiquetas: Blogues, Nota de leitura

Etiquetas: Política nacional

Etiquetas: Literatura

Etiquetas: Crítica literária

Etiquetas: Nonsense, Oportunismo

Etiquetas: Blogtailors, Crónica


Etiquetas: Saúde

Etiquetas: Nota de leitura


No seu mais recente livro, Em Busca da Identidade: O Desnorte, acabado de editar pela Relógio d'Água, José Gil procede de novo a uma análise das actuais condições de existência em Portugal. O ponto de partida é conhecido e já tinha sido diagnosticado por Eduardo Lourenço: trata‑se da hiperidentidade, que se poderia definir como a doença que consiste em sermos «portugueses antes de sermos homens» (p. 10). Para o autor, o grande problema que daqui decorre é o da construção de subjectividades marcadas por este desequilíbrio. Procedendo a uma transferência de conceitos e mecanismos psicanalíticos para o plano colectivo (em perfeita consciência do risco que isso comporta), José Gil encontra numa subjectividade característica durante o salazarismo os traços do que Sandor Ferenczi designou como introjecção. De uma forma algo simplificada, pode dizer‑se que esta consiste num processo de diluição de responsabilidades através de um ego inchado, omnipresente, que engoliu o mundo e permite, assim, que os seus afectos flutuem aí livremente. No caso português, «o sujeito ‘vive‑se’ como um zero social e pessoal, um falhado, e queixa‑se de tudo e de todos –– queixa‑se do ‘país’, nunca de si próprio» (p. 15). Se é certo que o fim do fascismo impôs a construção de novas subjectividades, não é menos exacto que a força dos padrões interiorizados não se desvanece de repente. Para o filósofo, decorre daí «a nossa dificuldade em nos desviarmos de uma via única, a nossa tendência a não ver senão a norma, a criar constantemente zonas claustrofóbicas, a viver a democracia como, paradoxalmente, uma imensa cobertura‑véu colectiva, desde os média ao tipo de governação, passando pelo medo da crítica e da liberdade» (p. 18). Podemos ver aqui o mecanismo que levou à concepção de um cartaz como aquele que o PS apresentou recentemente, afirmando que eles combatem a crise enquanto os outros combatem o PS. Subjacente a esta frase propagandística está a ideia do caminho único, da despolitização, segundo a qual há apenas uma boa solução e tudo o resto é uma perda de tempo. O objectivo é a recusa da argumentação, é a negação do confronto democrático, é a tentativa de intimidação através da exclusão: aqueles que não aceitam o que os senhores do cartaz propõem desinscrevem‑se do espaço público (como diria José Gil), porque a única possibilidade de inscrição consiste em aceitar o tal caminho único. Por isso, o líder do Partido Socialista pôde dizer, após a derrota nas eleições europeias, que não se vai desviar do rumo traçado, como outrora a ministra da educação já dissera que a manifestação de 120 000 professores em Lisboa (apenas a 20 000 da totalidade da classe profissional) não era relevante.
A esse propósito, aliás, José Gil escreveu que se tratava de uma fuga à contenda, através da qual «o poder torna a realidade ausente e pendura o adversário num limbo irreal». Ao deixar «intactos os meios da contestação mas fazendo desaparecer o seu alvo, desinscreve‑os do real». Trata‑se, portanto, de «uma não‑acção, uma acção não‑performativa», que pretende impor «a interiorização da obediência». É «um processo de domesticação da sociedade», o que representa mais do que meros traços psicóticos: na verdade, relativamente ao comportamento do primeiro‑ministro e da sua ministra da educação, deve falar‑se, como faz José Gil, da «não‑inscrição elevada ao estatuto sofisticado de uma técnica política» (pp. 55-56).

Etiquetas: Crónica, PNET Literatura

Etiquetas: Admiração

Etiquetas: Eleições Europeias 2009, Europa

Etiquetas: Cavaco, Política nacional

Thomas Bernhard definiu algures a sua escrita como uma arte do exagero. Ao fazê‑lo, tornou claro como não distinguia entre as obras especificamente ficcionais e as outras, em que o suposto elemento autobiográfico toma a dianteira e ocupa a maior parte do palco (apesar da linguagem, excluí os textos dramáticos bernhardianos destas considerações). Ora, se esta distinção nunca é muito clara, menos o será no caso do autor austríaco, que sempre se deleitou com a sua capacidade de misturar as referências e de, por conseguinte, confundir aqueles que gostam de isolar, como componentes químicos, os elementos constituintes da sua obra. Em toda a sua escrita em prosa, quer nos célebres cinco volumes da presumida autobiografia, quer nos romances mais ou menos longos, é da criação de uma figura modelar que se trata, seja através do próprio narrador, seja por meio de personagens que estão afectivamente ligadas ao protagonista. Não espanta, portanto, que estas características se encontrem no volume póstumo que a Quetzal ofereceu agora aos leitores portugueses. Intitulado Os meus Prémios (Meine Preise, 2009), o pequeno livro conta, como tem sido hábito desde que a obra de Bernhard principiou a ser editada com regularidade entre nós, com a tradução cuidada de José A. Palma Caetano, que também assina uma nota final. Reúnem‑se aqui os textos que o autor de Alte Meister (1985) redigiu sobre o que rodeou a entrega de alguns dos prémios literários que lhe foram atribuídos. A nota dominante é um sentido de humor que resulta, precisamente, da já citada arte do exagero. No primeiro texto, sobre o prémio Grillparzer da Academia de Ciências de Viena, o sorriso do leitor é solicitado desde a frase inicial, em que Bernhard afirma ter sentido necessidade de comprar um fato para a referida cerimónia, mas apenas duas horas antes do evento; recorrente ao longo do texto, esta referência permitirá um contraste fortemente irónico entre a suposta formalidade do evento e o desprezo com que o escritor afirma ter sido tratado, culminando com a troca do fato na loja onde o comprara, por considerar que ele estava, afinal, muito apertado. Este «chamado acto solene», como o escritor o refere, já tinha sido objecto da sua atenção em O Sobrinho de Wittgenstein (Wittgensteins Neffe, 1982), e mesmo de forma mais ácida, através das considerações que, então, o introduziam: «Receber um prémio não significa senão deixar que lhe façam em cima, porque se é pago para isso. Eu senti sempre as entregas de prémios como a maior humilhação que se pode imaginar, não como uma elevação. Porque um prémio é sempre entregue por pessoas incompetentes, que querem fazer em cima de uma pessoa e que fazem copiosamente em cima de uma pessoa, quando se recebe o seu prémio. E fazem com toda a razão em cima de uma pessoa, porque a pessoa é tão baixa e tão vil que recebe o seu prémio. Só nos casos de extrema necessidade e de a vida e a existência se encontrarem ameaçadas e só até aos quarenta anos é que se tem o direito de receber um prémio associado a uma quantia em dinheiro ou um prémio em geral ou uma condecoração. Eu recebi os meus prémios sem me encontrar em situação de extrema necessidade e sem que a vida e a existência estivessem em perigo e tornei‑me assim vil e abjecto e repelente, na verdadeira acepção desta palavra» (Lisboa, Assírio & Alvim, 2000, pp. 87-88).

Etiquetas: Eleições Europeias 2009

Etiquetas: Eleições Europeias 2009

Como hoje é dia de eleições europeias, faço minhas as palavras que encontrei neste blogue, apelando ao voto, contra a abstenção, os brancos e os nulos. Note‑se, em todo o caso, que não se trata de um asséptico apelo ao voto, à maneira do habitual discurso de um presidente da república, mas de um apelo que implica um mais amplo comprometimento: «Como tomar banho na praia, beber um copo ou dormir são actos insignificantes, é preferível a insignificância do nosso voto. Um voto contra Sócrates, que representa o pior dos últimos trinta e cinco anos: inscreveu-se no PS porque se enganou na porta, assinou projectos que simbolizam a degradação imobiliária do país interior, transformou o PS no partido dos Coelhos e dos Varas, dos Campos e dos Vitais, esteve na trapalhada do Freeport, na entrega do CCB, criou a dona Lurdes e a dona Ana, privatizou o ar e nacionalizou o BPN, foi elogiado ad nausea pelo dr. Dias Loureiro. Aos socialistas que votam nessa sêxtupla de pesadelo que assombra as rotundas da pátria – Campos e Estrela, Gomes e Estrela, Capoulas e Estrela, Vital e Estrela, Elisa e Estrela – devíamos dizer: jamais esqueceremos.»
Nota: A magnífica imagem foi encontrada aqui.



Etiquetas: Nova LER