Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

TRUQUE, DIZ ELA


Não ouvia rádio há muito tempo. Hoje ouvi, bem cedo, e durante mais de meia hora seguida, porque tive um pequeno-almoço de trabalho no Restelo e a chuva transformou a viagem numa epopeia. Uma voz feminina que não identifiquei insistia no perigo [sic] da adopção de crianças por casais de homossexuais. A família para aqui, a família para ali. Foi pena o repórter não ter lembrado um dado estatístico: grande parte das crianças molestadas é vítima de heterossexuais. Em regra, de heterossexuais casados. E muito machos, por supuesto! Mas são pais, amantes de pais e mães, irmãos, padrastos, primos, padrinhos, etc. O núcleo da família. Isso não incomoda ninguém. As famílias disfuncionais não deixam de ser famílias.

Vinha a discussão radiofónica a propósito do diploma que o governo prevê aprovar amanhã, tornando possível o casamento entre pessoas do mesmo sexo, porém interditando a adopção. Bluff, dizia ela, explicando: Assim que o primeiro casal gay reivindicar a adopção, e ela lhe for negada, “eles” recorrem para o Tribunal Constitucional, que obrigará o governo a expurgar a lei de inconstitucionalidade. Está tudo previsto. Tortuoso? Nem por isso. Estas cabecinhas tontas cospem tanto para o ar que um dia rebenta-lhes a bicha em casa.

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