Segunda-feira, Setembro 28, 2009

NOTEBOOK


A rua nunca ganhou eleições. Se as ganhasse, o vencedor de 1975 teria sido Cunhal. Foi Soares. Contra o lugar-comum, a História repete-se

Com 36,6% e 96 deputados eleitos, o PS foi o vencedor das legislativas. Mesmo que os 4 lugares por apurar (os da emigração, que só serão conhecidos a 7 de Outubro) lhe escapem.

Com 29,1% e 78 deputados, o PSD perdeu as eleições. Em 2005, Santana Lopes obteve 75.

Com 10,5% e 21 deputados, o CDS-PP ultrapassou o BE e a CDU [PCP+PEV].

Apesar da violência das campanhas ad hominem dos últimos quatro anos e meio, Sócrates ganhou mais uma vez.

Mal preparada e pior aconselhada, Manuela Ferreira Leite foi a grande derrotada.

Clareza com clareza se paga: Paulo Portas tem todas as condições para liderar a direita. A direita é a direita a direita a direita. Não é o saco de gatos da Política de Verdade.

A vitória pírrica de Louçã, que ajudou o BE duplicar o número de mandatos (de 8 para 16), não serve para nada.

54,4% dos portugueses que votaram [PS+BE+CDU] aprovam o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Corrigido.

E agora, Aníbal?

Pacheco Pereira continua em parte incerta.

O Jugular elegeu dois deputados: João Galamba e Miguel Vale de Almeida. Passei grande parte da noite com ambos, os parabéns foram dados no momento certo.

O SIMplex elegeu um: João Paulo Pedrosa. Felicito-o agora.

Ponto de vista da esquerda. Porfírio Silva: «Se a batalha tivesse sido pífia, esta vitória seria curta. Como a batalha, na realidade, foi tremenda, esta vitória é muito significativa.»

Ponto de vista da direita. Pedro Picoito: «[...] não se pode ter por mote as palavras “Política de Verdade” — e depois pedir aos portugueses que votem em António Preto e Helena Lopes da Costa. Não se pode, pura e simplesmente. Ponto final.»


[Foto de Victor Sancho.]

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