Quinta-feira, Julho 16, 2009

Viagem e narrativa


Foi a partir de palavras­‑chave como viagem e narrativa que se construiu o número 20 da Obscena. Nas palavras de Tiago Bartolomeu Costa, no editorial, a revista referente aos meses de Julho e Agosto é a «mais livre» desde a sua criação, há dois anos e meio, e é também um número que manifesta o «desejo de prolongar o tempo de uma narrativa, de a deixar fluir e a de voltar a viver». Por isso, o índice organiza­‑se como uma rede, um conjunto de ligações que, na verdade, até podem ser traçadas de outro modo. A abrir, duas grandes entrevistas: à actriz Edith Clever, por João Carneiro, a propósito da apresentação, no Festival de Almada, da encenação que Luc Bondy preparou de As Criadas (Les Bonnes, 1947), de Jean Genet; e à ensaísta Judith Butler, pelo director da revista, onde se reflecte sobre a dimensão performativa da linguagem e o seu poder em contexto de guerra. A propósito da 26.ª edição do Festival de Almada, com quem a Obscena estabeleceu, de novo, uma parceria, publica­‑se uma análise do recente teatro chileno, traça­‑se um perfil do encenador Mathias Langhoff, apresenta­‑se a nova peça de André Murraças e traduz­‑se poesia de André Césaire (o que não acontecia em Portugal desde 1970). Há ainda um ensaio fotográfico sobre o coreógrafo japonês Kazuo Ohno, uma análise ao cinema da paraguaia Paz Encina e da brasileira Sandra Kogut, uma viagem pelos pavilhões da Bienal de Veneza e a crítica do novo espectáculo de Vera Mantero, estreado em Essen, na Alemanha, no passado dia 19 de Junho. É ainda possível ler as colaborações habituais de André Dourado e António Pinto Ribeiro.

Os locais de venda da revista podem ser encontrados no sítio da Obscena, que foi remodelado e se apresenta agora com novas potencialidades, a pedir visitas regulares.