O BLOCO CENTRAL

Nos últimos dias, não há cão nem gato que não defenda o retorno ao Bloco Central. O Bloco Central, para quem não sabe, foi a fórmula inconsequente que o PS e o PSD arranjaram para comer da mesma gamela. Fórmula inconsequente, isto é, contrária à lógica e ao bom-senso, absurda, ilógica, contraditória, revelando falta de reflexão, de ponderação e de prudência, irresponsável, irreflectida, imprudente e leviana. Lamento, mas não há outra forma de colocar a questão.
O governo do Bloco Central, o 9.º Constitucional, chefiado por Soares, durou de 9 de Junho de 1983 a 5 de Novembro de 1985. Cavaco entrou em cena no dia 6. Era preciso fazer as reformas estruturais que o Bloco Central não fizera. Passaram 24 anos, e toda a gente acusa o governo actual de não ser capaz de levar até ao fim as reformas estruturais. Como em 1983-85, também em 2009 fazer reformas estruturais significa reformar o Estado, a Justiça, a Educação e a Saúde. Grande parte da acrimónia universal releva das tentativas do actual governo para mexer nessas áreas. Pode lá ser!, brada a oposição.
O pessoal anda agitado com o resultado das sondagens. Até ao mês passado, as sondagens davam, grosso modo, 69% ao Bloco Central: cerca de 40% para o PS, e de 29% para o PSD. De acordo com os últimos números da Universidade Católica, hoje divulgados pelo Diário de Notícias, esse patamar subiu agora para 75%, ou seja, para três quartos do eleitorado: 41% para o PS, 34% para o PSD. Os mesmos números dizem-nos que há mais 19% à esquerda do PS (o BE com 12%, a CDU com 7%). E só 2% a acrescentar à direita do PSD: os 2% do CDS-PP.
Face aos números, tese por tese, faria mais sentido discutir a possibilidade de acordos pós-eleitorais, de incidência parlamentar, entre o PS e um dos partidos à sua esquerda. Desenterrar o Bloco Central, numa altura em que PS e PSD defendem modelos diametralmente opostos de gestão da coisa pública, serve para foguetório mas não leva a lado nenhum.
O governo do Bloco Central, o 9.º Constitucional, chefiado por Soares, durou de 9 de Junho de 1983 a 5 de Novembro de 1985. Cavaco entrou em cena no dia 6. Era preciso fazer as reformas estruturais que o Bloco Central não fizera. Passaram 24 anos, e toda a gente acusa o governo actual de não ser capaz de levar até ao fim as reformas estruturais. Como em 1983-85, também em 2009 fazer reformas estruturais significa reformar o Estado, a Justiça, a Educação e a Saúde. Grande parte da acrimónia universal releva das tentativas do actual governo para mexer nessas áreas. Pode lá ser!, brada a oposição.
O pessoal anda agitado com o resultado das sondagens. Até ao mês passado, as sondagens davam, grosso modo, 69% ao Bloco Central: cerca de 40% para o PS, e de 29% para o PSD. De acordo com os últimos números da Universidade Católica, hoje divulgados pelo Diário de Notícias, esse patamar subiu agora para 75%, ou seja, para três quartos do eleitorado: 41% para o PS, 34% para o PSD. Os mesmos números dizem-nos que há mais 19% à esquerda do PS (o BE com 12%, a CDU com 7%). E só 2% a acrescentar à direita do PSD: os 2% do CDS-PP.
Face aos números, tese por tese, faria mais sentido discutir a possibilidade de acordos pós-eleitorais, de incidência parlamentar, entre o PS e um dos partidos à sua esquerda. Desenterrar o Bloco Central, numa altura em que PS e PSD defendem modelos diametralmente opostos de gestão da coisa pública, serve para foguetório mas não leva a lado nenhum.
Etiquetas: Política nacional, Sondagens

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