Quinta-feira, Março 12, 2009

DESDE 2007? CADÊ A FONTE?


Hoje, no Público, os jornalistas Lurdes Ferreira e Nuno Simas assinam uma peça sobre o 4.º aniversário da tomada de posse de Sócrates como primeiro-ministro. Pode ler-se:

«José Sócrates cumpre hoje quatro anos de mandato como chefe do Governo. Literalmente com altos e baixos.» — Confere.

«A onda de optimismo dos portugueses, que associaram o Verão ao Mundial de Futebol nesse ano, [em 2006] deu a Sócrates o seu segundo maior pico de popularidade. Seguiram-se meses de sobe e desce, quase sempre acima dos 10 pontos de balanço positivo, no barómetro político da Marktest, numa altura em que, com os outros líderes de esquerda, foi um dos vencedores do referendo sobre o aborto, em Fevereiro de 2007.» — Confere.

«Foi assim até Maio. [de 2007] Desde essa altura — e depois de revelado o caso da sua licenciatura na Universidade Independente — que a popularidade de Sócrates está em terreno negativo, abaixo da “linha de água”. [...] E assim se mantém.» — Qual a fonte do jornal?

É importante conhecer a fonte de tal “certeza”, porque a afirmação dos jornalistas contradiz todas — repito: todas — as sondagens encomendadas e divulgadas até hoje pelo próprio Público, pelo DN, pelo Correio da Manhã, pelo JN, pelo Expresso, pela RTP, pela SIC, pela TVI, pela Rádio Renascença, pela TSF, pela Visão, pela Sábado, etc. Onde é que Lurdes Ferreira e Nuno Simas descobriram que Sócrates está em terreno negativo desde Maio de 2007? Terá sido numa mesa de pé-de-galo?

Para não ir ao paleolítico do actual governo, fico pelo estudo mais recente da Eurosondagem [Expresso, SIC e Rádio Renascença], divulgado na última sexta-feira, dia 6, no qual Sócrates, apesar de uma quebra de dois pontos percentuais, mantém 18,6% de balanço positivo. No mesmo estudo, à pergunta sobre quem tem mais competência para governar, o score de Sócrates é de 57,7% contra 14,8% de Manuela Ferreira Leite. Ou ainda esta da Aximage para o Correio da Manhã, divulgada no passado dia 8, onde Sócrates obtém 48,3% no grau de confiança para primeiro-ministro, contra 20,5% de Manuela Ferreira Leite. A realidade é aborrecida? Inventa-se outra realidade!


Adenda. Sempre atento (e competente), Pedro Magalhães explica aqui como as coisas são. Obrigado. Também diz que o Público refere a fonte. Será a edição em papel, pois a online é omissa.

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