Terça-feira, Fevereiro 24, 2009

O ÓBVIO ULULANTE


O governo tornou pública a informação de que não vai mexer em fundos públicos para garantir aplicações especulativas de clientes do Banco Privado Português. Nem podia ser de outro modo. As carteiras de investimento são um risco que tem de ser assumido por quem joga esse jogo. O Estado apenas avaliza, através de um consórcio de seis bancos (a CGD, o BCP, o BES, o BPI, o Santander e a Caixa de Crédito Agrícola), um plafond de 450 milhões de euros para garantia dos depósitos. O restante — as aplicações financeiras atingem 1,275 mil milhões de euros — diz respeito a quem aplicou, pelos vistos mal, o seu dinheiro. Foi por terem sido detectados indícios de falsificação de contas e não contabilização de activos, entre outras irregularidades, que o Banco de Portugal suspendeu preventivamente seis administradores do BPP: Paulo Guichard, Salvador Fezas Vital, Fernando Lima, Paulo Lopes, Vítor Castanheira e Guilherme Portela Santos. Era o que faltava que fossem os contribuintes, no seu todo, a pagar as apostas erradas de meia dúzia. A revelação de que «alguns clientes do banco não têm contratos assinados e outros foram levados a pensar que se tratava de depósitos», como alega o seu (deles) advogado, dá a medida do imbróglio. Foi muito bonito enquanto pingou, mas agora que deu para o torto não têm de ser os outros a pagar o falhanço.

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