Domingo, Janeiro 25, 2009

LER OS OUTROS


Um livro cada domingo. Por qualquer razão fortuita, o historiador britânico Paul Johnson (n. 1928), antigo editor da revista New Statesman, e autor de uma obra muito vasta — meia centena de títulos, a maioria sobre História contemporânea; publicou ainda dois romances, ensaio sobre arte e religião, relatos de viagens, volumes de memórias, compilações jornalísticas, etc. —, tem apenas dois livros publicados em Portugal. Intellectuals (1988) foi agora traduzido por Rui Santana Brito. Trata «da credibilidade moral e crítica que determinados intelectuais bastante conhecidos podem ou não ter para dar conselhos à humanidade e indicar-lhe a forma de comportamento mais correcta.» Qual foi o ponto de partida de Johnson para o rastreio? As obras, cartas, diários, memórias e palavras de Rousseau, Shelley, Marx, Ibsen, Tolstoi, Hemingway, Brecht, Russell, Sartre, Wilson, Gollancz, Hellman, Mailer e outros. Tudo é passado à lupa: sexo, vida doméstica, dívidas, convicções privadas e públicas, nada escapa à rigorosa análise de Johnson. Talvez se possa dizer a seu respeito o que ele mesmo diz do crítico Edmund Wilson: «Para ele, a História, a tradição, a precedência e as formas já consolidadas constituíam a sabedoria herdada da civilização e eram as únicas referências de confiança para o comportamento humano.» Com cerca de 500 páginas, Intelectuais é um guia indispensável para perceber os homens que estão por trás das obras que consideramos património da humanidade. Além de notas, o volume inclui um utilíssimo índice remissivo.


Cristina Ferreira de Almeida: «Sempre que a PGR fica calada passamos a presumir que todas as notícias sobre investigações judiciais são verdadeiras?»

Filipe Nunes Vicente: «Por que motivo o processo esteve parado durante quatro anos? O Procurador já disse que a iniciativa de o reabrir foi independente da investigação inglesa. Estou-me nas tintas para o destino de Sócrates, tal como estive no caso da licenciatura. O que não quero é uma república de magistrados servida por jornalistas ocasionais. Nem por sombras.»

Miguel Abrantes: «Perante uma diligência da investigação (buscas), que deveria ser recatada e estar coberta pelo segredo de justiça, logo aparece numa prestimosa jornalista a dar conta daquilo que se passa. E, a partir de então, como alguém dizia hoje na rádio, têm acontecido sucessivos “directos” a partir da investigação — sem que ninguém no Ministério Público dê sinais de se incomodar.»

Tomás Vasques: «Pedro Arroja refere o índice de Desenvolvimento Humano, respeitante ao ano de 2006, apresentado em Dezembro de 2008, no qual Portugal figura em 33.º lugar, tendo descido 4 lugares comparado com 2005. E acrescenta que Portugal, em 1973, situava-se no 24.º lugar. Qualquer observador atento olhará para o topo da lista e verá que a Islândia é a primeira do ranking. Sim, a Islândia — o país que está na bancarrota. [...] / PS: O índice de desenvolvimento humano, com os critérios actuais, é usado desde 1993.»

Valupi: «Rui Gonçalves é à prova de dúvida. Os pulhas e os viciados em teorias da conspiração farão melhor em ignorar a sua existência.» [Rui Gonçalves foi o secretário de Estado do Ambiente responsável pelo licenciamento do Freeport.]

Vital Moreira: «Para haver um caso de corrupção, não basta que alguém tenha dito a um terceiro (para justificar dinheiro supostamente gasto) que teve de pagar “luvas” para obter um licenciamento. Partindo do princípio de que não foi ele próprio que se locupletou com o dito dinheiro, é necessário saber quem foram concretamente os directos beneficiários e como se processou o alegado pagamento. / Aditamento: Independentemente de saber se houve, ou não, pagamento de luvas a alguém (e a quem), este desmentido categórico de Sócrates varre a sua testada e inverte o “ónus da prova” (mesmo admitindo a lógica perversa de que, quando se acusa um político, é ele que tem de provar a sua inocência, e não os acusadores que têm de provar a acusação...).»

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