AINDA O BPP

O caso do Banco Privado Português está muito mal contado. Primeiro, o ministro das Finanças afirmou que a sua eventual insolvência não acarretaria risco sistémico. Depois (segundo consta, após uma conversa do primeiro-ministro com Pinto Balsemão, um dos fundadores do BPP), Teixeira dos Santos veio dizer que, afinal, por força de compromissos internacionais, o governo não podia deixar cair o BPP. A fórmula encontrada foi persuadir a concorrência a emprestar dinheiro ao BPP. Foi assim que, no início do mês, seis bancos disponibilizaram (com o aval do Estado) 450 milhões de euros. Nessa altura ainda se pensava que o BPP era um banco de milionários, um banco gestor de fortunas em aplicações de alto risco. A pouco e pouco, porém, foi-se sabendo que o BPP tem clientes comuns, sem apelidos sonantes, residindo fora do eixo Lisboa-Cascais. Clientes, quase todos do Norte, que entregaram ao banco de João Rendeiro as economias de uma vida. Esses clientes estão agora impossibilitados de reaver o seu dinheiro. Porquê? Face ao silêncio da administração do banco, não deveria o ministério das Finanças vir esclarecer a situação? É muito estranho que, tendo impedido a queda do BPP, o governo pareça insensível à situação dos pequenos clientes. É verdade que esses pequenos clientes não estão de braços cruzados. Um grupo deles (mais de cem) accionou uma providência cautelar visando obrigar o BPP a reflectir no balanço de Novembro — o qual continua por publicar até ao momento — o montante dos seus depósitos, por forma a serem ressarcidos a partir do “bolo” de 450 milhões de euros disponibilizado com aval do Estado. Parece, contudo, que a providência cautelar acautela muito pouco. E como metade desse mirífico “bolo” já estará nos bolsos de grandes clientes, a sua eficácia arrisca-se a ser nula. Talvez na terceira semana de Janeiro, quem sabe na segunda quinzena de Fevereiro, tudo dependerá do blasé da Justiça. Curiosamente, os media têm tratado o caso com notória displicência. Por que será?
Adenda às 17:00h. A edição da revista Sábado hoje posta à venda, trata o tema com larga soma de pormenores. Os “pequenos” clientes são 122, representando as suas aplicações um total de 40 milhões de euros. Agrupados numa Associação de defesa dos seus interesses, acusam João Rendeiro de «burla, abuso de confiança, destruição de bem próprio e manipulação de mercado». Entretanto, o BPP está autorizado pelo Banco de Portugal a manter congelados, até Março de 2009, os capitais à sua guarda.
Adenda às 17:00h. A edição da revista Sábado hoje posta à venda, trata o tema com larga soma de pormenores. Os “pequenos” clientes são 122, representando as suas aplicações um total de 40 milhões de euros. Agrupados numa Associação de defesa dos seus interesses, acusam João Rendeiro de «burla, abuso de confiança, destruição de bem próprio e manipulação de mercado». Entretanto, o BPP está autorizado pelo Banco de Portugal a manter congelados, até Março de 2009, os capitais à sua guarda.

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