FALAR DE DINHEIRO

Quem vive fora de Portugal ou vem de outras culturas, uma das primeiras coisas em que repara é na dificuldade dos portugueses em falar de dinheiro. Pode-se dizer: vou passar quinze dias às Maldivas, matriculei os miúdos no Valsassina, fui hoje levantar a assinatura de São Carlos, o meu pai ofereceu-me o MBA, etc., o que não se pode é falar de dinheiro. Em falando, caldo entornado. Mas, quando falamos de restaurantes, se o fazemos com intenção crítica, temos de dizer quanto custa para não induzir os outros em erro. Os críticos especializados (entre outros, David Lopes Ramos, Duarte Calvão e José Quitério) sabem que é assim. Não me recordo de ver o João engasgado. Porém, na onda da “emergência social” que está em pauta, engasgou-se com isto. Ó João, logo V., que não perde uma ópera em São Carlos, nem um concerto na Gulbenkian, e deita fora bilhetes de avião [«deitar fora uma reserva paga de avião e hotel em Paris por um cancelamento inapelável...»], vem agora com a rábula neo-realista dos descamisados de Mem Martins (e porquê Mem Martins? não há gente com dificuldades, com «crias» ou sem «crias» noutros concelhos do país?), por causa de refeições a 60 euros por pessoa? Pode-se gastar na ópera mas não à mesa de um restaurante? É isso? Deixe a demagogia para os políticos profissionais que não têm vergonha de dizer tudo e o seu contrário! E fique lá com mais esta perspectiva da Flo Tivoli, um tanto mais cara que a minha...
Etiquetas: Lisboa, Restaurantes

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