Sexta-feira, Julho 04, 2008

ANDAR PARA TRÁS


Caro Filipe, tem toda a razão: Manuela Ferreira Leite não falou em revogar a Lei n.º 7/2001, de 11 de Maio. A líder do PSD só utilizou esse verbo quando, durante as directas, se referiu à lei da interrupção voluntária da gravidez. Et pour cause. Mas vamos ao que interessa: tendo dito — como não segui a entrevista, faço fé na transcrição dos jornais — que não podem ter tratamento igual as uniões entre um homem e uma mulher e as uniões entre cônjuges do mesmo sexo, a única forma de discriminar (o verbo é dela) será revogar a lei em vigor, que contempla por igual as uniões hetero e as uniões homo, substituindo-a por outra, sem o «tipo de regalias e de medidas fiscais» que, no seu (dela) entender, visam promover a família como fonte de procriação. Como é que ela discrimina sem mudar a lei? Isto dito, concordaria consigo na hierarquia das prioridades, não se desse o caso de estar o PSD a tentar fazer valer uma agenda impensável nos dias de hoje. Ignorará Manuela Ferreira Leite que, nos últimos 15 anos, Portugal transpôs para a ordem jurídica interna uma série de princípios e valores em tudo contrários às suas (dela) idiossincrasias?

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