A MATÉRIA DO POEMA

Há doze anos, escrevendo sobre O Movimento do Mundo (1996), citei T. S. Eliot: «A palavra tem, e continuará a ter, vários significados em vários contextos». Faço-o de novo, agora que Nuno Júdice (n. 1949) publica A matéria do poema, por me parecer que o juízo de Eliot, na sua aparente redundância, define com clareza o sentido de uma obra que desde A Noção de Poema (1972) não parou de nos surpreender, sem, contudo, se afastar do propósito original. Neste mais recente livro, o grão da voz sobreleva (mas não rasura) a música dos versos. Fica um exemplo:
Gramática: O Verbo
Principal ou auxiliar, é o verbo que faz mover
o discurso, dando à existência a sua qualidade
activa, e transformando-a no ser idêntico
que reúne em cada um sujeito e estado, sem
distinguir uma ideia de outra. Porém, a
conjugação dos tempos e modos multiplica
o que dizemos por nós, por vós e por eles,
desde o passado ao futuro; e no presente
em que o enunciamos, o verbo é ser o que
é, sem ter sido o que será, na definição
conjugada das pessoas que agem, sem
que o saibam, e das que sabem, sem agir.
Gramática: O Verbo
Principal ou auxiliar, é o verbo que faz mover
o discurso, dando à existência a sua qualidade
activa, e transformando-a no ser idêntico
que reúne em cada um sujeito e estado, sem
distinguir uma ideia de outra. Porém, a
conjugação dos tempos e modos multiplica
o que dizemos por nós, por vós e por eles,
desde o passado ao futuro; e no presente
em que o enunciamos, o verbo é ser o que
é, sem ter sido o que será, na definição
conjugada das pessoas que agem, sem
que o saibam, e das que sabem, sem agir.
Etiquetas: Poesia

Links to this post:
Criar uma hiperligação
<< Home