Quinta-feira, Maio 15, 2008

LUGARES SELECTOS


O actual imbróglio entre a Câmara de Lisboa, as associações de editores [APEL e UEP] e o grupo Leya, devia servir para repensar o modelo da Feira do Livro de Lisboa. Repito o que escrevi noutras ocasiões: não faz sentido uma feira ao sol e à chuva, muitas vezes sob nuvens de poeira, sem instações sanitárias, com os livros amontoados em stands decrépitos, roídos pela ferrugem, os autores sentados em plano inclinado, etc. Um evento desta natureza devia realizar-se em recinto coberto, como no Porto, com entradas pagas, sendo o seu valor descontado no pagamento dos livros adquiridos. A FIL, no Parque das Nações, seria uma boa opção. Isto dito, a conflito à volta do barracão que a Leya pretende instalar — parece que com 720 metros quadrados —, para abrigar a dúzia de editoras que comprou, não tem razão de ser. Primeiro, porque em anos anteriores o barracão colectivo dos editores independentes sempre coexistiu com os stands individuais. E nunca vi nenhuma associação queixar-se do barracão dos pobrezinhos. Agora que os ricos querem ter um, cai o Carmo e a Trindade. OK. Entretanto, lembrar aos distraídos que não é por haver (ou não) hiper-barracões que a Feira se isenta de lugares selectos: o modelo actual reserva a melhor localização aos editores mais influentes. Ou é mera coincidência?

Adenda: Pessoa amiga, conhecedora do processo, esclarece-me que o grupo Leya não pretende instalar um barracão para abrigar as suas marcas: Asa, Caminho, Dom Quixote e mais oito ou nove. Na verdade, o grupo Leya pretende agrupar os seus stands (um por cada marca, presumo) num espaço comum, o qual dará origem a uma praça, com imagem própria, bem vincada, uma vez que esses stands foram desenhados por um conhecido arquitecto. Fica feita a rectificação.

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