ANA GAIAZ
Na Galeria São Mamede, em Lisboa, pode ver-se uma nova exposição de fotografia de Ana Gaiaz, Prática de 14 Figuras. Ana Gaiaz fotografa sobretudo máscaras, «mas também caras de bonecos tristes, bonecas sofisticadas, outras de expressão perturbada e histérica, tiaras aristocráticas, moldes de rostos adormecidos, calmos nos seus cabelos de arame, mascarilhas venezianas, ou de contornos esqueléticos da morte, monstros, animais fantásticos, plumas, chapéus elegantes e narizes grotescos, caras de espanto ou de indignação.» Como diz Bernardo Pinto de Almeida num dos textos do catálogo, as imagens «flutuam sem fim (e sem princípio) como se por ondas [e] o dispositivo que essa intensíssima circulação gera — também pela sua velocidade e pela sua sedução — é um dispositivo de que se ausenta tudo aquilo que, longamente, fez da fotografia uma antecâmara da arte, um espaço singular capaz de gerar a sua própria história.» Impressas a jacto de tinta sobre alumínio, estas fotografias de Ana Gaiaz dizem o desamparo da condição humana. Ao alto reproduz-se uma delas, Ruivo. Ontem ao fim da tarde, Ana Gaiaz recebeu os amigos com a afabilidade do costume, e foram muitos (entre outros, Isabel Allegro de Magalhães, Manuela e Nuno Júdice, Miguel Veiga, Leonardo Mathias, Eduardo Lourenço e o escultor José Aurélio, sobre cuja obra a autora tem intervindo) os que com ela e Vasco Graça Moura partilharam uma caipirinha de honra.
Etiquetas: Arte

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