Segunda-feira, Abril 14, 2008

A LUTA CONTINUA


Fatal como o destino. Várias associações cívicas de professores estão indignadas com o recuo da Fenprof. Cedência, dizem elas. Era bom de ver que uma larga percentagem de docentes do básico, preparatório e secundário não quer a avaliação. Nestas coisas (e isto vale para a educação como para todas as áreas da administração pública, da economia à justiça), há sempre um núcleo, infelizmente numeroso, de gente que sobrevive à custa da inércia. Se a mudança os prejudica, combatem a mudança. A Fenprof foi o rosto desse combate. Mas esticou tanto a corda que ficou sem margem de manobra. Por outro lado, as duas audiências em Belém — a primeira com uma assessora da Presidência, a segunda com Cavaco himself — podem ter constituído um aviso. E se, no limite, o Presidente da República viesse dizer ao país que a razão estava com Maria de Lurdes Rodrigues? (O que não seria novidade nenhuma, pois a sondagem da Markest, publicada no Expresso do passado dia 5, revela que 57,6% dos inquiridos apoia as medidas da ministra.) A plataforma de entendimento entre o ministério da Educação e os sindicatos contribuiu para abrir o jogo. E as associações não querem que seja assinada porque isso põe fim ao agit-prop e às manobras dilatórias. Por exemplo, o Movimento em Defesa da Escola Pública já disse que o acordo representa um desaire para a Fenprof, na medida em que «Os professores foram para a rua lutar contra o estatuto da carreira docente, [contra] o concurso para definição dos professores titulares, contra o novo modelo de gestão escolar e, claro, contra a avaliação.» Muito sintomática a elencagem de prioridades... Convenhamos que ficou tudo mais claro. O ideal seria mesmo ficar em casa e receber o vencimento no fim do mês

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