Segunda-feira, Março 17, 2008

NAMBUANGONGO, MEU AMOR


Em 1995, escrevendo sobre Manuel Alegre, lembrei o eco dos seus poemas nas casernas e picadas do Império. A título de exemplo, citei meia dúzia de versos do Canto Peninsular: «Estar aqui dói-me. E eu estou aqui / há novecentos anos. Não cresci nem mudei. / Apodreci. / Doem-me as próprias raízes que criei. [...] Mas nunca ninguém me disse a razão por que me dói / estar aqui.» Depois disso, Manuel Alegre publicou inúmeros livros, de poesia e ficção. Agora, por reconhecer neles (e bem) uma «identidade própria», reuniu os poemas da guerra em volume autónomo: Nambuangongo, meu amor. Trata-se, portanto, de uma antologia, que foi buscar poemas a quatro livros: Praça da Canção (1965), O Canto e as Armas (1967), Atlântico (1981) e o último a Doze Naus (2007). A seriação actual não obedece à cronologia com que foram originalmente editados, antes seguindo um fio condutor que permite estabelecer nexos «entre eles e o tempo ou tempos da própria guerra». Nambuangongo, meu amor é lançado hoje, às 19:30h, no Palácio Galveias, em Lisboa. Lídia Jorge apresenta.

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