Ensino (cada vez mais) à distância
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Não vi a entrevista que a ministra da Educação concedeu ontem à RTP, mas acredito no que dizem hoje os jornais. Assim, no contexto da discussão sobre o fim da reprovação ou da retenção dos alunos que ultrapassem o limite de faltas (injustificadas ou justificadas, agora tanto faz), devo atribuir‑lhe esta frase: «A avaliação tem que incidir sobre o conhecimento: sabe, passa; não sabe, não passa». Registe‑se, em primeiro lugar, que a avaliação parece ter deixado de ser sobre as famigeradas competências (na linguagem do «eduquês», como diria o Nuno Crato) e se virou agora para o conhecimento. Deixou de lado, porém, o sentido de responsabilidade, ao instituir a ideia de que a frequência é irrelevante, de que a avaliação contínua é para desprezar, porque basta um acompanhamento atento das matérias para se ir passando de ano, mesmo que o aluno só apareça de vez em quando, talvez até para se divertir às custas dos que insistem em não abandonar as aulas. Podem até faltar todos, e de nada interessa o trabalho dos professores, virado para a criação de um sentido de cumprimento do dever por parte dos seus alunos, visto que o único dever que a ministra agora quer implementar é o do conhecimento. Mas não poderiam as disciplinas, nesse caso, passar a ser leccionadas à distância, por teleconferência, quiçá para uma sala vazia, no caso de todos os alunos terem decidido ficar pelo café naquele dia?

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