Segunda-feira, Agosto 20, 2007

CORREIO DOS LEITORES


Uma leitora exaltada: «Como é que alguém como V., que diz gostar de cinema, não menciona filmes de Sofia Coppola, Woody Allen, Spielberg e Pasolini? Incrível...» Cara Cesaltina Faria, dois pontos. Primeiro. Não se pode gostar de tudo. Segundo. Se bem reparou, cito dez filmes aqui, e mais cinquenta aqui. Por junto, sessenta filmes. Ora, como ao longo da minha vida terei visto qualquer coisa como quatro mil filmes (número que decerto peca por defeito, e não inclui pornografia, um inesgotável filão), compreenderá que ficou muita coisa de fora. Quanto aos nomes que cita, o da herdeira Coppola não me merece comentário no contexto da selecção em apreço. Woody Allen vi bastante, mas não todo, tendo desgostado a maior parte das vezes. As excepções foram Interiors (1978), September (1987) e Crimes and Misdemeanors (1989), os meus preferidos; Manhattan (1979) e Stardust Memories (1980), isentos de golpe de asa; e o recente Match Point (2005), que deve quase tudo à banda sonora (ópera) e à presença inquietante de Jonathan Rhys-Meyers. Feito o balanço, nenhum cabe no meu top 60. De Spielberg, gostei de Jaws (1975) e de Schindler’s List (1993), tendo visto com grande enfado o resto, em particular a aclamada fase extraterrestre. Sobra Pasolini, que não é santo da minha devoção, embora Teorema (1968) me tenha tocado por causa de Terence Stamp. Como vê, isto de gostos é uma coisa muito relativa. Lamento mais ter deixado de fora Altman, Losey ou Mankiewicz (ao alto: foto de Suddenly, Last Summer de 1959), que me deram tantas horas de genuíno prazer, do que aqueles que tão escandalizada nomeia.

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