Terça-feira, Agosto 07, 2007

BOCA NO TROMBONE


Berardo deu hoje à noite a Mário Crespo (na SIC Notícias) a entrevista mais explosiva de que me recordo ter ouvido na televisão portuguesa. Sobre a assembleia-geral do BCP, claro. Um tema sinuoso, cheio de atalhos jurídicos e jogos de poder que escapam à maioria das pessoas (faço parte do grupo de não iniciados). Berardo, que não usa língua de pau, chamou os nomes aos bois: o problema informático que fez abortar a assembleia-geral foi intencional. Fraude, portanto. Fraude, disse ele, e deu exemplos. Também contou histórias. Uma delas: há poucos anos, o BCP apresentou em Wall Street contas diferentes das que em simultâneo apresentava em Lisboa. Na Bolsa de Nova Iorque, tudo certinho, prejuízos incluídos. Em Portugal, superavit. E de tal monta que Jardim Gonçalves, só à sua conta, teve direito a um prémio de cinquenta milhões de euros. Isto, diz Berardo, é inqualificável. Como quem não quer a coisa, falou de banqueiros americanos, eminentes (citou-os pelo nome), condenados a trinta anos de cadeia. E foi lembrando que há milhares de pequenos accionistas que se endividaram junto do BCP para comprarem acções. Essa gente está a ser defraudada. Pois. A entrevista, muito bem conduzida por Mário Crespo, que soube sublinhar os tópicos mais melindrosos, foi mais longa do que é habitual no Jornal das 9. Depois do que ali foi dito, nada pode (nem deve) ficar como dantes. A ver vamos o que acontece. As manchetes de amanhã serão um primeiro sinal. Mas, ou muito me engano, ou vai toda a gente assobiar para o lado.

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