OS BLOOMSBERRIES

Um ano antes de morrer, o historiador inglês Quentin Bell [1910-1996], sobrinho de Virginia Woolf, publicou um volume sobre os bloomsberries mais influentes. O livro saiu em 1995 e tem um título diferente de cada um dos lados do Atlântico: Elders and Betters no Reino Unido e Bloomsbury Recalled nos Estados Unidos. Quem nunca leu a monumental biografia que fez da tia — Virginia Woolf: A Biography, 1972 —, encontra aqui uma boa introdução a esse mundo onde, segundo Petra Kipphoff, tudo era permitido, «excepto a estupidez, a falta de estilo e de graciosidade». Lendo os retratos que Quentin fez dos pais (Clive e Vanessa), de Duncan Grant, Maynard Keynes, Roger Fry, Leonard Woolf, Lady Ottoline Morrell, Anthony Blunt e outros, percebemos melhor uma sua síntese famosa: o mundo moderno, «considerado como uma entidade ética, social e estética», nasceu em 1910, no bairro londrino do Bloomsbury. Não o disse por ser o ano do seu nascimento, mas porque foi em 1910, no dia 10 de Fevereiro, que um grupo de seis bloomsberries, entre eles a tia Virginia, pôs em cheque o almirantado britânico, levando a cabo o bem sucedido episódio Dreadnought. Por todas as razões, Bloomsbury Recalled é, há cerca de dez anos, um dos meus livros de cabeceira. Numa altura em que tanto se traduz (e mais de metade é lixo), por que será que os nossos editores ignoram sistematicamente certo tipo de obras?
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