Segunda-feira, Maio 14, 2007

MADELEINE


Tenho evitado falar do caso Madeleine por várias razões. Desde logo, porque casos como este acontecem todos os dias, em toda a parte, e especular à volta deles não leva a lado nenhum. O horror é da ordem do indizível. A criança inglesa não é mais, nem é menos, do que todas as outras. Mas, precisamente por ser inglesa, e filha de pais que podem pagar advogados que cobram 500 libras [750 euros] por hora, e logo dois de uma assentada, tem a BBC e a Sky News a alimentar a história do seu desaparecimento. É triste? Claro que sim. Mas nada justifica a overdose televisiva. Se os media britânicos querem alimentar o folhetim, é lá com eles. Nós por cá temos o direito de dizer basta. Afinal, a quem é que interessa ter as televisões a reboque dos consultores de imagem da família McCann, cuja preocupação é evitar que o assunto deixe de abrir noticiários? A mim parece-me obscena esta agenda da dor: missa, statement, passeio. Mas, pelos vistos, tem de ser assim.

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