Sábado, Abril 28, 2007

PENSAR PELA PRÓPRIA CABEÇA


Vai por aí um coro de virgens indignadas com a nomeação de Pina Moura para o cargo de presidente da Media Capital, ou seja, para patrão da TVI. Faz-me sempre muita confusão este tipo de zelo. Ontem à noite, pela primeira vez, ouvi alguém da oposição recentrar a questão nos seus devidos termos. Solicitado por Mário Crespo, no Jornal das Nove da SIC Notícias, o historiador José Freire Antunes, actual deputado do PSD, manifestou a sua perplexidade com o melindre geral. Em resumo, lembrou que projectos políticos são quase todos os da imprensa de referência, na Europa (deu como exemplos concretos, de sinal contrário, El Pais e El Mundo) e fora dela (citou o New York Times e o Washington Post dentro da mesma linha de raciocínio), não vindo daí mal ao mundo, pelo contrário. O público sabe com o que conta. Clareza com clareza se paga. Freire Antunes conhece bem aquilo de que fala: fez um mestrado em Relações Internacionais na Universidade Complutense de Madrid (1997-2000), e foi investigador associado da Universidade de Columbia, em Nova Iorque (1982-1988). Lembrou que Pina Moura é um gestor com provas dadas em empresas espanholas. A sua contratação não devia ser alvo de controvérsia, frisou. Isto, para mim, é o óbvio. Caberá aos espectadores da TVI avaliar, daqui a uns tempos, se o canal cumpre ou defrauda as suas expectativas. Tendo apreciado a justeza do seu comentário, preferia ver Freire Antunes ocupado com os livros de História (os doze que li, nos mais de vinte que publicou, sobre a I República, Sidónio, o 28 de Maio, a luta pelos Açores durante a II Grande Guerra, as atribuladas relações de Kennedy com Salazar e as de Nixon com Marcelo Caetano, o factor africano, a guerra colonial, Francisco Sá-Carneiro, o 25 de Novembro, etc., dão a medida de uma escrita sedutora, rigorosa e extremamente informada), o que significa fora do parlamento. Mas, enquanto não cumpre o ritual de passagem do antigo maoísta, só lhe fica bem pensar pela sua cabeça.

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