Quinta-feira, Abril 12, 2007

A ENTREVISTA


Sejamos claros: a entrevista do primeiro-ministro foi, no essencial, convincente; e, no acessório, aceitável. O essencial: licenciatura, mudança do ISEL para a UnI, propinas, «desconsolo», MBA. O acessório: trapalhadas burocráticas na UnI e na AR. As trapalhadas beliscam? Beliscam. Mas não vale a pena arrancar os cabelos. Portugal é o que é e dois terços da classe dirigente não passaria num escrutínio rigoroso. Protestar indignação com os procedimentos da UnI em 1996 pressupõe que a avaliamos pelo padrão do Instituto Superior Técnico (o que talvez releve do facto de Manuela Ferreira Leite, quando ministra da Educação, ter considerado a UnI, em despacho publicado, de «interesse público relevante»), falácia em que ninguém acredita, a começar por Marques Mendes, que foi professor da UnI, e por alguma razão foi convidado a dar aulas lá, e não noutro sítio. Depois há os aspectos anedóticos, como o espanto, e a conspiração, à volta da fórmula de cortesia «Seu»... Eu percebo a perplexidade de muitos (estas coisas não se aprendem na escola), mas há quem esteja a mangar com a tropa... Num país em que toda a gente, logo no primeiro e-mail ou no primeiro encontro, troca «beijinhos» e abraços, num país com tão elevado índice de lambuzadelas postais, porquê a dúvida com o tradicional, seco e protocolar «Seu»...?

Duas notas laterais:


1. Sou assinante da edição impressa do Público e, às 11:10h de hoje, só consegui ter acesso ao comentário de António Barreto. Os outros estão indisponíveis.


2. A SIC Notícias está desde as 23:00h de ontem a promover uma sondagem telefónica sobre a entrevista dada pelo primeiro-ministro à RTP. Doze horas depois, a sondagem prossegue. Vai durar até ao Verão? Resultado às 11:00h: em cerca de cinquenta mil telefonemas, um total de 60,8% de pessoas considerou-se «convencida», enquanto as restantes 39,2% têm opinião contrária.

Etiquetas: , ,