A ASAE NO CLUBE

Conheço pessoas que acham «incrível» que a ASAE tenha autuado o restaurante do Clube dos Empresários, constituindo arguida a sua gerente. Não dei pelo incómodo quando foi da leva dos restaurantes chineses ou do Galeto. Mas vamos por partes. Quanto sei, a ASAE detectou irregularidades no restaurante do Clube dos Empresários, instalado na cave do palacete [Prémio Valmor] que fica na esquina da Avenida da República com a Avenida Visconde de Valmor. Quando o Clube foi criado, existiu no andar nobre um restaurante de luxo, gerido pelo chefe Clara. Isso acabou. O que existe agora — isto é, de há dez anos a esta parte, mais coisa menos coisa — é um restaurante pacato, e barato, com ar de sala de jantar «de clube», frequentado por quadros médios das empresas da área (e por uma famosa feminista), cuja entrada se faz pelo portão lateral que em tempos terá sido o dos empregados. Não sei exactamente o que a ASAE considerou irregular. Motivos «técnico-funcionais», como invocado, dá pano para muitas mangas. Sei que mandou fechar a casa e corrigir o que estava mal. No dia seguinte, a gerente terá alertado a ASAE, informando que tudo estava conforme e ia reabrir a casa. A ASAE mandou nova brigada, a qual encontrou o restaurante a funcionar com as mesmíssimas deficiências «técnico-funcionais». Considerando que a situação configura crime de desobediência, a gerente foi detida e constituída arguida. Os clientes ficaram com o almoço a meio. Isto só espanta quem considera a impunidade um dado adquirido. [A foto ao alto é de um restaurante de Greenwich Village, em Nova Iorque, cuja decoração se aproxima daquele de que falamos, excluindo a lareira.] Vem a propósito contar uma história. O meu indiano preferido era uma tasca, dessas de azulejo branco. A melhor cozinha indiana de Lisboa, simpatia a rodos, e a partir daqui não vale a pena entrar em detalhes. Pois bem, outro dia fui lá e julguei ter-me enganado na porta. Os azulejos desapareceram, as paredes foram rebocadas e são agora cor de pêssego, a cozinha tem novos equipamentos e os WC tornaram-se decentes. Conhecendo (é maneira de dizer) os proprietários, não os estou a ver a acordar um dia com a pulsão do design. Se calhar anteciparam-se... Fizeram eles muito bem. A pedagogia tem destas coisas.

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