Quinta-feira, Fevereiro 15, 2007

OPINIÃO?


A propósito das mudanças verificadas no Público, não faltou gente a lamentar a saída de colunistas com filiação partidária. Sirva de exemplo o militante comunista Vítor Dias, que assinava como consultor (o que é equivalente a assinar como historiador ou pediatra, se a respectiva coluna não versar estritamente sobre história ou pediatria). Não tenho nada contra militantes partidários, os quais não devem ser prejudicados em função dessa escolha. Mas os nossos jornais abusam. Grande parte da “opinião” que lemos é assinada por delegados de directório partidário, convidados a escrever justamente para preencher quota. Sem esse “vínculo”, mais de metade do nosso colunismo desaparecia. A maioria não tem uma ideia na cabeça, debitando sem brilho ou risco as inanidades do catecismo. É assim à direita e à esquerda, nos jornais de referência e nos outros. Um colunista não é um deputado ou assessor. Deve ser alguém que, sabendo escrever, seja reconhecido em determinada área do saber (economia, política, literatura, direito, história, sociologia, arte, jornalismo, ecologia, património, religião, desporto, etc.) e, como tal, aceite como “autoridade”. É dever dos jornais procurar ter os melhores. Se os melhores puxarem quase todos para o mesmo lado, paciência! Optar por uma galeria de medíocres em obediência ao pluralismo, não leva a lado nenhum (para isso já temos a Assembleia da República). O progressivo descrédito da “opinião” radica nesse pecado original. O problema não são os militantes partidários — há três ou quatro que não deixam por isso de ser bons colunistas —, o problema é mesmo a incompetência. Eu não quero saber se fulano é “engraçado” e até é do Bloco. Ou se beltrano é sisudo e pertence ao comité central do PCP. Ou se sicrana é bonita e tem pedigree. A mim interessa-me ler. Mas para isso é preciso que haja texto.

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