Segunda-feira, Agosto 28, 2006

OS SIXTIES


Depois da crónica em que Vasco Pulido Valente caracteriza os anos 1960 como alavanca, também em Portugal, da sociedade, instalou-se na bloga um alarido que perde de vista o essencial. Pretender, com Rui Bebiano, que foi «na definição de comportamentos de natureza anti-disciplinar» que os anos 1960 deixaram a sua marca, parece-me fórmula redutora. Desde logo por deixar de fora o grosso de quem deu origem à mudança: gente de vária proveniência, com intelectuais e artistas à cabeça. Foi assim no vasto mundo, Moçambique incluído. Em Portugal não terá sido diferente, razão pela qual as abstracções sem rosto (movimentos estudantis, etc.) correm o risco de desfocar a questão. Por que carga de água são as “massas” chamadas à colação? Em que é que os sixties marcaram as referidas “massas”? Acaso essas “massas” iam à Buchholz encomendar Alan Watts? (Cito-o por nenhuma razão especial excepto a que releva de ser autor paradigmático, com larga difusão em Moçambique. É ver, ao alto, a comunidade informal de leitores... no ano da graça de 1967, em Lourenço Marques. O crédito fotográfico é de Paula Santa-Rita.) Ou só as elites de sempre?