Sexta-feira, Abril 07, 2006

MAGAZINE


Lembram-se do Acontece de Carlos Pinto Coelho? Acabou, disse-se então, por défice de sofisticação. O conúbio dos artistas naïf do Casino Estoril com a extravagante deriva palopiana trazia a nomenklatura agoniada. Veio o Magazine. Mas veio às tranches. Foi o primeiro erro. Eu fixei as sextas como dia de livros porque fui entrevistado ainda o programa gatinhava. E perdi a noção do resto. Em todo o caso não sou espectador militante de coisa nenhuma. Em dez anos de Acontece devo ter visto sete ou oito emissões. Acontece que o Acontece era visto por muita gente, entre a qual pessoas absolutamente comuns, tão comuns que me abstenho de exemplos para não ser acusado de tiques de casta. O tipo de gente que, mesmo que queira, não sabe esnobar em clave cultural. Eles viam. Viam e comentavam. A nomenklatura deplorava. Em dois anos de Magazine não ouvi ninguém referir uma emissão. Uma que fosse. Anabela Mota Ribeiro esforçou-se, deu o litro, mas terá ficado refém dos ovos que não tinha para as omelettes que sonhara. Agora acabou. Aposto que ninguém vai dar por isso.