Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006

CITAÇÃO, 20


Tânia Laranjo e Natália Faria, no Público de hoje, discorrendo sobre o assassinato de um travesti, perpetrado por um gang de adolescentes, no Porto. Edit e sublinhados meus:

«Relatos do alegado crime contados pelos próprios tornam difícil a imputação de culpas e apontam mais para uma acção inconsciente do que premeditada. [...] Só hoje é que o juiz determinará se deve haver já lugar a medidas cautelares educativas. Poderá depois ser-lhes aplicado o internamento, uma medida que estará muito dependente do resultado da autópsia — designadamente de se saber se a causa da morte foram as agressões ou se foi a falta de cuidados médicos e a saúde débil da vítima que acabaram por provocar tal desfecho. [...] O depoimento dos jovens [...] não é coincidente e as versões já foram alteradas nas últimas horas. Sabe-se pouco sobre quem efectivamente praticou a alegada agressão. Apenas que terá sido repetida e que nem todos os jovens terão estado nos vários momentos do crime. A primeira, segundo o PÚBLICO apurou, terá acontecido no fim-de-semana, ao que tudo indica ainda no sábado. Os jovens não sabem precisar quais os motivos que os terão levado a agredir a vítima, apenas se recordam que o terão apedrejado e espancado com paus. No domingo, a agressão terá continuado e na segunda-feira a vítima ainda estaria viva. Terá agonizado durante mais de 48 horas, tendo morrido nessa madrugada ou na manhã de terça-feira. Contam os jovens que parte deles terá regressado à garagem e verificado que já nada havia a fazer. [...] Atiraram-no a um poço com mais de 15 metros de profundidade, onde o cadáver não seria tão cedo descoberto não fosse um deles não ter conseguido controlar os remorsos. [...] A maioria declarou imediatamente o envolvimento no caso [...] alguns relataram que eram frequentes as discussões com a vítima. O facto de ser travesti, toxicodependente e apresentar uma saúde frágil tornava-o um alvo fácil. Mesmo assim, um deles disse também ser seu amigo. E que apenas não tivera forças para travar a violência. Não conseguira denunciar os amigos, nem tão-pouco socorrer o homem. Deixara-o morrer, mas não o agredira.»