Quarta-feira, Fevereiro 15, 2006

Blogs e vomitórios

Entre os poucos blogs que visito com verdadeiro prazer está o Estado Civil, assinado por Pedro Mexia. A forma como Mexia aborda questões de índole mais pessoal é, ao mesmo tempo, desarmante e terna. E o humor fino e inteligente remete-nos, obrigatoriamente, para um certo habitante de Manhattan. Atente-se a este post delicioso:

«Universo estatístico

Dados recentes (e licensiosos) sobre as disfunções sexuais femininas, cruzados com dados sobre a sexualidade masculina, dão que 8% por cento das mulheres enganam os homens e simulam o orgasmo. A vantagem de ser um pessimista sexual é esta: eu estava convencido de que eram 80% as mulheres que nos enganavam (gentilmente) e não apenas 8. Mas reconheço que os meus dados empíricos não se recomendam

No extremo oposto temos a página de Jorge Reis-Sá, Querido Diário. É das coisas mais fraquinhas e peçonhentas que já vi sob a forma de caligrafia. A juntar a um chorrilho de inanidades há uma pose de subserviência emocional para com o leitor que é verdadeiramente incomodativa. Este pathos arrancado a ferros, aliado a uma compulsiva falta de pudor, fazem do citado endereço um lugar de culto da pornografia na blogosfera. Só para estômagos muito fortes. Um exemplo:

«Plasticina

Eu quero plasticina. Aquela que provei em pequeno como a provámos todos, de tão inocentes. Acho que era porque parecia chocolate e nós, claro, somos todos gulosos. E quero plasticina porque só com ela posso construir mundos novos, pessoas, carros, animais, um presépio, quiça. Não quero saber das letras. Escrever é uma coisa em que se não sujam as mãos. Só com a plasticina isso acontece, ela entre as unhas e interromper a limpeza que uma mãe traz, como se fosse precisa para que a mãe viesse outra vez, limpasse ainda e outra vez. Quero plasticina. Não sei onde se compra. Mas vou percorrer o mundo à sua procura como quem quer encontrar a memória mais feliz da infância