Terça-feira, Setembro 27, 2005

QUOTA PORTUGUESA


Nos ominosos tempos do apartheid dos srs. Verwoerd & Vorster, Cape Town era o paradigma da imutabilidade do «desenvolvimento separado». Em Fevereiro de 1990 chegou Mandela. As coisas mudaram. E a cidade do Cabo roubou a Joanesburgo a liderança da comunidade gay & lesbian. Hoje, juntamente com Sydney e São Francisco, Cape Town é uma das pontas do triângulo dourado do turismo LGBT. Sede do poder legislativo (como Pretória o é do poder executivo e Bloemfontein do poder judicial), a cidade de Cecil Rhodes orgulha-se do ecumenismo das suas gentes, as quais, de acordo com o censo de 2001, totalizam 2,9 milhões de habitantes, entre coloured people (48,1%), negros (31,7%), brancos (18,8%) e asiáticos (1,4%). À chegada ao aeroporto, os visitantes recebem dois mapas: um straight, outro pink. A iniciativa parte do órgão oficial do turismo sul-africano. E não consta que os saudosos do Partido Nacional façam manifestações de desagravo. Com um grafismo limpo, o pink map colige a informação relevante: principais eventos da comunidade LGBT, hotéis & resorts, cafés, bares e restaurantes, Spas, lojas, vida nocturna, agências especializadas (em excursões, rent a car, espectáculos, etc.), serviços de escort e outros. Nada foi esquecido. A quota portuguesa fica por conta da Tasca de Belém, com o acento invertido, não sabemos se com intenção. Na tasca portuguesa a simpatia é de rigueur: os portadores do pink map têm direito a um copo de vinho grátis. Quem foi que disse que os emigrantes tugas não são capazes de ser gay friendly...? Lembrar aos mais distraídos que a África do Sul é uma república negra.

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